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Flávio Bolsonaro nega ajuda para deixar o Brasil

Flávio Bolsonaro nega ajuda para deixar o Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que organizou sozinho sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos e negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros ou de outras pessoas para realizar a viagem. A declaração foi feita em sua primeira entrevista após deixar o país, concedida ao jornal norte-americano The New York Times e publicada na quinta-feira (5).

Ao ser questionado sobre como conseguiu chegar aos Estados Unidos, Flávio afirmou que pretende manter os detalhes da viagem em segredo pelo resto da vida. “Como cheguei até aqui, vou levar isso comigo para o túmulo”, declarou o senador, reforçando que não contou com auxílio de nenhum governo na organização de sua saída.

Segundo o parlamentar, a decisão de deixar o Brasil aconteceu de maneira espontânea e foi tomada em conjunto com sua esposa, Fernanda Bolsonaro. Ele afirmou que preferiu sair do país por acreditar que poderia acabar preso caso permanecesse em território brasileiro.

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem ocorreu na madrugada de 27 de outubro, dois dias após o segundo turno das eleições.

De acordo com o relato apresentado pelo senador ao jornal americano, a decisão de viajar foi tomada após ele ser informado de que deveria entregar seus passaportes às autoridades brasileiras no prazo de 24 horas.

Flávio contou que, antes de deixar o país, teve uma conversa reservada com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo sua versão, Jair teria demonstrado preocupação com os acontecimentos e indicado que o filho já compreendia o que poderia acontecer dali em diante.

O senador afirmou que respondeu estar preparado para tomar as medidas necessárias, mas negou que tenha conversado com o pai sobre um plano de saída do Brasil. Ainda segundo o relato, a decisão foi executada posteriormente, com a participação de sua esposa e das duas filhas do casal. Apesar da negativa de Flávio Bolsonaro, a versão apresentada pelo senador contrasta com informações publicadas pela imprensa internacional sobre a logística da viagem.

A viagem incluiu passagens pela Argentina e pelo Equador antes da chegada ao destino final. A aeronave utilizada foi um jatinho particular, e a movimentação envolvendo o transporte da família levantou questionamentos sobre quem teria participado da organização da operação. Flávio, entretanto, rejeitou a possibilidade de ter recebido assistência oficial de outros países. Ele reconheceu que possui amigos e contatos no exterior, mas afirmou que qualquer manifestação de apoio não passou de torcida. O assunto ganhou repercussão porque envolve a saída de um senador brasileiro em meio a decisões judiciais relacionadas à entrega de seus documentos de viagem.

O parlamentar afirmou considerar que existe motivação política em determinadas decisões judiciais e demonstrou preocupação com as consequências que poderia enfrentar caso continuasse no Brasil. Flávio também voltou a afirmar que acredita que seria preso se permanecesse no país. Essas declarações representam a avaliação pessoal do senador e não uma decisão judicial sobre sua situação. O parlamentar ainda declarou que pretende continuar defendendo sua inocência diante das investigações que envolvem seu nome.

Outro assunto abordado na conversa foi a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Mesmo após o resultado das urnas, Flávio voltou a apresentar questionamentos sobre o processo eleitoral e levantou suspeitas de possíveis irregularidades, mas não apresentou provas que comprovassem suas alegações. O senador também criticou medidas adotadas pelo governo durante o período eleitoral e questionou aspectos relacionados ao horário de votação e à mobilização política nas redes sociais.

Apesar das declarações, o resultado eleitoral foi reconhecido pelas instituições responsáveis pelo processo, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não identificou irregularidades capazes de modificar o resultado da disputa. Flávio afirmou que pretende continuar questionando judicialmente a vitória de Lula, embora tenha demonstrado reconhecer as dificuldades de conseguir uma mudança no resultado. Atualmente nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro afirmou que ainda não definiu todos os detalhes sobre a permanência da família no país.

O senador declarou que espera que a mudança seja temporária e que pretende continuar acompanhando os acontecimentos políticos brasileiros mesmo estando no exterior. Na entrevista, também falou sobre a possibilidade de manter contato com lideranças conservadoras e aliados internacionais, incluindo integrantes do cenário político americano. Apesar da distância, Flávio não descartou voltar a disputar a Presidência da República caso aconteça uma nova eleição no Brasil.

“Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.

A declaração demonstra que o parlamentar pretende continuar participando da política nacional e manter sua atuação dentro do grupo político ligado ao bolsonarismo. A entrevista de Flávio Bolsonaro trouxe novamente ao centro do debate sua saída do Brasil, as circunstâncias da viagem e os questionamentos envolvendo possíveis participações externas na operação. De um lado, o senador sustenta que organizou tudo por conta própria e que não recebeu ajuda de nenhum governo. De outro, informações divulgadas por veículos de comunicação internacionais apontam possíveis participações de pessoas ligadas ao governo americano na organização do transporte.

A divergência entre as versões mantém o episódio em evidência e amplia as discussões sobre as circunstâncias que levaram o parlamentar a deixar o país. Enquanto isso, Flávio afirma que pretende seguir sua vida nos Estados Unidos por enquanto, continuar acompanhando a política brasileira e preservar os detalhes de como conseguiu chegar ao território americano. A declaração de que levará os detalhes da viagem para o túmulo acabou se tornando o principal destaque da entrevista e repercutiu entre lideranças políticas e veículos de comunicação no Brasil e no exterior.

Ana Carolina