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Casa Branca fala em ação militar para defender Bolsonaro e liberdade de expressão no Brasil

Casa Branca fala em ação militar para defender Bolsonaro e liberdade de expressão no Brasil
 (Kevin Dietsch/Getty Images)

O clima diplomático entre Brasil e Estados Unidos se intensificou nesta semana, após declarações da Casa Branca relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante coletiva realizada na terça-feira (9/9), a porta-voz do governo norte-americano, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente Donald Trump “não hesita em usar o poder econômico e militar” dos EUA para defender a liberdade de expressão ao redor do mundo.

A fala foi interpretada como uma ameaça direta ao Brasil, especialmente após o aumento das tensões decorrentes das sanções impostas a autoridades brasileiras envolvidas no processo judicial contra Bolsonaro. O julgamento está sendo conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Sanções e restrições diplomáticas

Desde julho, autoridades brasileiras vêm sendo alvo de sanções por parte do governo dos EUA, incluindo a suspensão de vistos de entrada no país. Entre os afetados estão o próprio ministro Alexandre de Moraes, outros integrantes do STF e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. As medidas foram justificadas pelo governo Trump como resposta ao que considera uma perseguição judicial contra Bolsonaro e supostos atos de censura contra plataformas digitais.

Além das ações diplomáticas, o governo norte-americano também tem usado declarações públicas para criticar a condução do processo no Brasil, alegando interferência na liberdade de expressão e na atuação das big techs.

Envolvimento da família Bolsonaro

As pressões internacionais teriam sido intensificadas por articulações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, que se afastou temporariamente das funções parlamentares para buscar apoio internacional em defesa do pai.

O episódio mais recente marca uma escalada no discurso, com a inclusão de possíveis ações militares como parte da retórica norte-americana. Nos últimos dias, os EUA deslocaram navios de guerra e caças F-35 para regiões da América Latina e do Caribe, sob a justificativa de combate ao tráfico internacional.

Reação do governo brasileiro

O Itamaraty reagiu prontamente, classificando as declarações da Casa Branca como inaceitáveis e contrárias aos princípios da soberania nacional e da democracia. O governo Lula reafirmou que os Poderes da República permanecem firmes diante de qualquer tipo de ameaça externa.

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também se posicionou nas redes sociais, responsabilizando a família Bolsonaro pela atual crise diplomática. Segundo ela, as ações internacionais coordenadas para interferir no julgamento representam uma tentativa de desestabilizar o país.

Investigação e acusações contra Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado por suspeita de liderar uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. A Polícia Federal afirma que o plano incluía medidas extremas, como o possível assassinato de autoridades públicas, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

O governo brasileiro reiterou que não negociará nenhum tipo de interferência externa em assuntos internos, especialmente os relacionados ao funcionamento das instituições democráticas e da Justiça.

Editor Sucesso