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Advogada é Investigada em Fraude do INSS Após 33 Viagens Internacionais

Advogada Investigada fraude
Reprodução/CRM Advogados/Arquivo

 

Cecília Rodrigues Mota, advogada e ex-presidente de associações de aposentados no Ceará, está no centro de uma investigação sobre um esquema bilionário de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Polícia Federal (PF) está apurando sua participação em movimentações de até R$ 14 milhões, que, segundo as investigações, foram repassados a empresas e pessoas ligadas aos dirigentes do INSS.

 

A advogada, que também recebe uma pensão mensal de aproximadamente R$ 8,2 mil do INSS por ser filha de um técnico do órgão, é suspeita de estar envolvida no repasse de propinas a servidores da autarquia, intermediando valores de associações de aposentados ligadas ao esquema. Segundo a PF, Cecília teria movimentado esses valores de forma irregular, entre elas, a empresa Highway Comércio e Serviços de Informática, da qual é sócia. Só dessa empresa, foram recebidos mais de R$ 1,7 milhão de entidades e pessoas envolvidas no esquema.

 

Além disso, a investigação revelou que, entre 2023 e 2024, Cecília fez nada menos que 33 viagens internacionais, incluindo destinos de luxo como Dubai, Paris e Lisboa, acompanhada por pessoas que também receberam valores em transações ilícitas. Entre essas pessoas, estão indivíduos ligados a figuras influentes no INSS, como a irmã de um procurador afastado do órgão e o filho de um ex-diretor de benefícios do INSS, que foi demitido após o escândalo vir à tona.

 

A advogada também é uma figura conhecida no meio das entidades de aposentados, tendo presidido duas associações importantes simultaneamente: a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (AAPEN) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB) entre 2017 e 2020. Ambas as associações estavam registradas no mesmo endereço em Fortaleza (CE), o que levantou suspeitas de que elas poderiam ser uma única organização disfarçada, com o objetivo de ampliar o controle sobre os aposentados e, assim, aumentar os lucros da fraude.

 

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou que a coincidência de endereços e a operação conjunta dessas associações indicam um possível esquema de “ganho de mercado” por meio de práticas ilícitas. A investigação está revelando como a manipulação de filiações associativas foi utilizada para cobrar mensalidades diretamente da folha de pagamento dos aposentados, configurando uma verdadeira “indústria de descontos”, como relatado pelo órgão.

 

Cecília Rodrigues Mota, apesar de ter ficado sem declarar renda como contribuinte individual entre 2020 e 2024, teve um grande aumento de rendimento a partir de 2024, quando começou a declarar uma renda mensal de cerca de R$ 100 mil. O aumento substancial em sua renda, coincidindo com o crescimento do esquema, levanta sérias questões sobre a origem desses valores.

 

A investigação da Polícia Federal segue em andamento, e o caso está gerando ampla repercussão, revelando como fraudes no INSS afetaram milhões de aposentados em todo o Brasil, desviando bilhões de reais. A defesa de Cecília Rodrigues Mota ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações, mas o espaço segue aberto para comentários.

 

O caso coloca em evidência os desdobramentos das investigações que começaram em 2023 e continua a ser um dos maiores escândalos envolvendo fraudes previdenciárias no país. A sociedade aguarda os próximos passos dessa investigação e possíveis implicações para outros envolvidos no esquema.

 

 

Editor Sucesso