A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) está monitorando dois focos de raiva em bovinos na zona rural de São Patrício, município da região Central de Goiás. A investigação teve início em 12 de fevereiro, após produtores notificarem a Agência sobre sintomas suspeitos nos animais, como dificuldades de locomoção, paralisia e falta de apetite.
Após a notificação, fiscais estaduais agropecuários da Unidade Regional Rio das Almas se deslocaram até a região, nas proximidades da Vila São José, e confirmaram a presença dos sintomas característicos da raiva. A partir disso, foram tomadas as medidas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), incluindo a coleta de material para diagnóstico.
Através do Laboratório de Diagnóstico Veterinário da Agrodefesa (Labvet), os casos foram confirmados. As vítimas eram uma fêmea bovina de 24 meses e um macho bovino de 18 meses. A doença, que também é zoonose, foi comunicada à Secretaria de Saúde do município, visando prevenir riscos à saúde pública.
De acordo com Denise Toledo, gerente de Sanidade Animal da Agrodefesa, ações preventivas já estão em andamento, com vacinação obrigatória para todos os animais das propriedades afetadas. Além disso, vacinas serão recomendadas para os rebanhos das propriedades situadas até 12 quilômetros de distância das propriedades foco. Também será intensificado o monitoramento dos abrigos de morcegos hematófagos na região.
Embora a vacinação antirrábica não seja obrigatória em São Patrício, os produtores podem realizar a aplicação da vacina a qualquer momento do ano. A Agência também reforça a importância de evitar o contato com animais doentes, principalmente com a saliva, e de não manusear morcegos. Caso identifiquem abrigos desses animais, os produtores devem comunicar a Agrodefesa.
A Agrodefesa destaca que a notificação de casos suspeitos de raiva é obrigatória e deve ser feita por meio do sistema e-Sisbravet, diretamente nas unidades operacionais ou pelo telefone 0800 646 1122. A notificação não acarreta multas ou penalidades, sendo um apoio importante para a proteção dos rebanhos e o controle da doença.
A população urbana também pode colaborar, informando sobre morcegos com comportamentos atípicos ou animais domésticos com sintomas de raiva. Neste caso, é fundamental que a manipulação seja feita por profissionais capacitados.
O presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, reforça a importância da prevenção da raiva e a parceria com os produtores rurais no controle da doença. Ele também destaca que, como no caso de São Patrício, a colaboração dos produtores é essencial para proteger tanto os rebanhos quanto a saúde pública.
A raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave, sendo transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças. A raiva é caracterizada como uma encefalite progressiva e aguda com letalidade de aproximadamente 100%.






