A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspendeu, com efeito a partir de quarta-feira (4), todos os voos de carga operados pelos Correios. A medida ocorre após a identificação de falhas nos protocolos de segurança, especialmente relacionadas ao transporte de materiais perigosos.
O caso que motivou a decisão aconteceu em 9 de novembro de 2024, quando uma aeronave a serviço dos Correios apresentou um incêndio em pleno voo, no trecho entre Vitória (ES) e o aeroporto de Guarulhos (SP). O fogo se iniciou minutos antes da aterrissagem, obrigando a tripulação a realizar um pouso de emergência. Os ocupantes saíram ilesos, mas a aeronave foi seriamente danificada.
As investigações iniciais apontam que havia, possivelmente, baterias de íon lítio a bordo — material que, se não devidamente acondicionado, pode representar risco de combustão. Embora os Correios tenham negado o transporte desse tipo de carga no voo em questão, o conteúdo exato segue sob análise e não foi integralmente divulgado.
A ANAC esclareceu que os Correios não têm autorização legal para transportar baterias de íon lítio por via aérea, conforme regulamento vigente desde 2016. Essa normativa exige regras rigorosas de embalagem, quantidade limitada por envio e segregação adequada das cargas.
Além da estatal, foram afetadas as empresas Total Linhas Aéreas e Sideral Linhas Aéreas, que operam os aviões contratados para o transporte postal. A Total já anunciou que pretende apresentar à ANAC uma proposta formal para se responsabilizar integralmente pela segurança do serviço, na tentativa de retomar os voos.
A suspensão representa um desafio logístico para os Correios, que dependem do transporte aéreo para garantir agilidade na entrega de encomendas, especialmente em longas distâncias e regiões remotas. A empresa informou que está revendo seus processos internos e adaptando suas operações para se adequar às exigências regulatórias.
Enquanto o transporte aéreo permanece suspenso, alternativas via modal terrestre estão sendo estudadas para manter o escoamento de mercadorias, inclusive as que contenham baterias de lítio.
A ANAC montou um grupo de trabalho para analisar eventuais adequações que permitam, no futuro, a retomada segura do transporte desses materiais por parte dos Correios. Uma decisão definitiva sobre o tema é esperada até meados do segundo semestre de 2025.
O caso reforça a importância do cumprimento rigoroso das normas de segurança no setor aéreo, sobretudo no manuseio de substâncias classificadas como perigosas. Também expõe a necessidade de revisão periódica nos procedimentos adotados por operadores logísticos, especialmente aqueles com capilaridade nacional como os Correios.





