A secretária de Meio Ambiente do Estado de Goiás, Andreia Vulcanis, fez um apelo emocionado aos prefeitos do estado destacando a importância da colaboração entre os municípios para enfrentar os desafios ambientais que afetam Goiás. A fala ocorreu durante 1º Congresso de Gestão Ambiental Municipal, realizado no Auditório Mauro Borges, nesta segunda-feira, 24, que reuniu representantes do governo estadual e de diversas cidades goianas, Andreia enfatizou que o enfrentamento de questões ambientais, como a gestão de resíduos sólidos e a preservação de recursos naturais, exige uma ação conjunta e integrada, tanto do poder público quanto da sociedade.
Vulcanis ressaltou que, embora o governo estadual tenha realizado avanços importantes em áreas como o saneamento e a gestão de resíduos, os municípios desempenham um papel fundamental na implementação de políticas ambientais, já que são os principais responsáveis pela gestão de resíduos sólidos, licenciamento ambiental e a preservação local.
A secretária de Meio Ambiente abordou diversos pontos que preocupam os gestores públicos, como o fechamento dos lixões e a implementação de aterros sanitários em todo o estado, uma demanda urgente devido aos prazos estabelecidos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Vulcanis destacou que, apesar de algumas cidades já estarem avançando nesse processo, muitas ainda enfrentam dificuldades, principalmente no interior do estado, devido à falta de recursos e infraestrutura.
Ainda em tempo, a gestora apontou que não se pode tratar as questões ambientais de forma isolada e destacou que cada município tem sua realidade, seus desafios e, por isso, é essencial o trabalho conjunto, de avançar com rapidez e eficiência.
A secretária também chamou atenção para a necessidade de maior conscientização da população e dos gestores municipais sobre a importância da preservação ambiental e da adoção de práticas sustentáveis. Ela destacou que, além da infraestrutura, é necessário mudar a mentalidade de consumo e descarte de resíduos, com ênfase em programas de coleta seletiva e reciclagem.
Vulcanis mencionou ainda que, para a gestão eficiente dos recursos naturais e o cumprimento das metas ambientais do estado, será necessário estreitar o relacionamento entre as prefeituras e o governo estadual, bem como com empresas privadas e organizações não governamentais.
Fim dos Lixões em Goiás
Goiás, assim como muitos outros estados brasileiros, enfrentou durante anos um grande problema com o descarte inadequado de resíduos. A presença de lixões em áreas periféricas e até em zonas rurais ainda é uma realidade em várias cidades goianas, afetando a qualidade do solo, da água e a saúde da população local. A situação é particularmente grave em municípios menores e mais afastados, onde a falta de recursos e infraestrutura agrava o problema.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado de Goiás possui cerca de 246 municípios, e, entre eles, muitos ainda operam com sistemas irregulares de gestão de resíduos, o que inclui a manutenção de lixões. Essas áreas, em sua maioria, não possuem qualquer tipo de monitoramento ou controle adequado, resultando em impactos ambientais significativos, como a contaminação de cursos d’água e a emissão de gases prejudiciais à saúde, como o metano.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, determinou que até 2024 todos os lixões do país deveriam ser encerrados, e que as prefeituras deveriam implementar aterros sanitários ou outras soluções sustentáveis para o gerenciamento de resíduos sólidos. Para Goiás, o prazo se aproxima e o estado precisa se adaptar rapidamente à nova realidade.
Em 2019, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), lançou o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos do Estado de Goiás, com o objetivo de coordenar esforços entre as prefeituras e o estado para eliminar os lixões e incentivar o tratamento adequado dos resíduos. No entanto, as dificuldades financeiras e a falta de estrutura em muitos municípios do interior são obstáculos para a implementação efetiva dessa política.
Apesar dos desafios, alguns avanços podem ser observados no estado. O governo de Goiás tem se esforçado para apoiar os municípios na implementação de aterros sanitários e na transição para métodos mais sustentáveis de descarte de resíduos. Um exemplo é a implantação de aterros sanitários em algumas regiões, como na capital, Goiânia, e em cidades da região metropolitana. Em Goiânia, o aterro sanitário já opera dentro das normas estabelecidas pela PNRS, com a destinação adequada dos resíduos, o que tem contribuído para a diminuição dos impactos ambientais na cidade.
Além disso, alguns municípios goianos estão investindo em programas de coleta seletiva e em iniciativas de reciclagem, que, aos poucos, começam a ganhar mais espaço no estado. Projetos piloto de compostagem também têm sido implementados, principalmente em cidades com maior capacidade de investimento, com o objetivo de reduzir a quantidade de resíduos orgânicos que ainda são encaminhados para os lixões.
A falta de apoio técnico e a escassez de soluções locais para a gestão de resíduos são outros fatores que atrasam a eliminação dos lixões em várias cidades. O transporte dos resíduos para aterros sanitários distantes também se torna um problema, aumentando os custos e a complexidade da solução.
Além disso, a conscientização da população sobre a importância da separação dos resíduos e da reciclagem ainda precisa ser mais efetiva. Muitos goianos, especialmente nas áreas rurais, não têm acesso a informações ou programas de educação ambiental, o que torna a mudança de comportamento um desafio adicional para o estado.
O futuro do fim dos lixões em Goiás depende de ações integradas entre o governo estadual, as prefeituras e a sociedade civil. O fortalecimento das políticas de educação ambiental, capacitação dos gestores locais e o incentivo a soluções inovadoras e sustentáveis são essenciais para alcançar a meta de 2024. Além disso, o estado precisa intensificar as parcerias com o setor privado e organizações não governamentais para garantir o sucesso das iniciativas de gestão de resíduos.
Em um cenário ideal, Goiás poderá não apenas eliminar os lixões, mas também transformar a gestão de resíduos em um modelo sustentável, que priorize a economia circular, a redução de resíduos e a reciclagem. Esse movimento é crucial para preservar os recursos naturais do estado, melhorar a qualidade de vida da população e contribuir para a mitigação dos impactos ambientais, que são um desafio crescente em todo o Brasil.
Embora o estado de Goiás ainda enfrente desafios significativos para erradicar os lixões e cumprir a legislação federal, os avanços observados nas grandes cidades e em algumas iniciativas regionais mostram que é possível, sim, reverter esse quadro. O fim dos lixões no estado dependerá de uma ação coordenada, com foco em educação ambiental, infraestrutura e inovação, para garantir um futuro mais sustentável para todos os goianos. O caminho é longo, mas a legislação é um passo fundamental para que Goiás deixe para trás os antigos hábitos de descarte e avance rumo a um modelo mais responsável e ambientalmente adequado.





