Carregando cotação do dólar...

Auditoria do SUS Revela Colapso no Atendimento Materno-Infantil em Maternidades de Goiânia

Auditoria do SUS revela colapso no atendimento materno-infantil em maternidades de Goiânia
Imagem Assessoria Aava Santiago

 

Uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), iniciada nesta semana, revelou sérios problemas nas maternidades públicas de Goiânia. A inspeção foi motivada por uma denúncia da vereadora Aava Santiago (PSDB), que alertou o Ministério da Saúde sobre a crise instalada na rede de atenção materno-infantil da capital goiana.

 

A etapa presencial da auditoria começou na segunda-feira (26) e incluiu visitas às maternidades Célia Câmara, Dona Íris e Nascer Cidadão, todas administradas pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc). As inspeções foram acompanhadas pela parlamentar e pelo diretor do Denasus, Rafael Bruxellas.

 

Nas unidades visitadas, a equipe do Denasus identificou leitos fechados, equipamentos inoperantes por falta de manutenção e a suspensão de diversos serviços — tudo isso sem que houvesse qualquer justificativa técnica ou planejamento apresentado pela Prefeitura de Goiânia.

 

Na Maternidade Célia Câmara, foi encontrada uma ala inteira desativada, mesmo diante da alta demanda por atendimentos. “Há estrutura e equipamentos disponíveis, mas a capacidade de operação está reduzida pela metade, sem que tenha sido apresentada uma razão técnica para isso”, criticou Aava Santiago.

 

Os problemas coincidem com cortes de aproximadamente 40% nos repasses da prefeitura à Fundahc, efetuados em dezembro passado. Segundo a vereadora, a fundação continua mantendo os serviços, mas sem financiamento adequado. “Essa situação é insustentável, e por isso buscamos o Ministério da Saúde para uma apuração técnica isenta”, afirmou.

 

Na Maternidade Dona Íris, referência estadual para gestantes, a situação também é crítica. Um dos corredores principais permanece interditado desde janeiro devido a infiltrações e um curto-circuito. Além disso, cerca de 700 cirurgias eletivas estão represadas, enquanto equipamentos de ponta seguem sem uso por falta de manutenção. Em casos extremos, até o cardápio das pacientes foi afetado: mulheres no pós-parto não têm recebido carne nem legumes, por falta de orçamento.

 

“É incoerente a prefeitura afirmar que a Dona Íris poderá absorver a demanda da Célia Câmara, quando a própria unidade já está sobrecarregada”, apontou Aava.

 

Na terça-feira (27), a auditoria continuou na Maternidade Nascer Cidadão, onde foram encontrados problemas semelhantes: falhas estruturais, redução de serviços e ausência de planejamento efetivo por parte do poder municipal.

 

O diretor do Denasus, Rafael Bruxellas, informou que a auditoria terá três etapas: levantamento técnico, escuta dos gestores responsáveis e elaboração de relatório. Ele reforçou que, caso sejam confirmadas irregularidades, poderão ocorrer responsabilizações e até a devolução de verbas. “Mesmo antes de finalizarmos o relatório, já vemos movimentações positivas nas unidades. O nosso foco é garantir que os recursos públicos sejam aplicados de maneira correta e que o direito à saúde seja assegurado às mulheres e crianças de Goiânia”, declarou.

 

A auditoria continua nos próximos dias, com expectativa de entrega de um relatório completo ao Ministério da Saúde ainda neste semestre.

 

Editor Sucesso