A bióloga brasileira Yara Barros, de 59 anos, recebeu uma das mais prestigiosas honrarias do mundo em conservação ambiental, o Whitley Prize, em Londres, na última quarta-feira, 30 de abril de 2025. Conhecido popularmente como o “Oscar Verde”, o prêmio reconhece os esforços excepcionais de conservacionistas que trabalham na preservação da natureza. Yara foi premiada por seu trabalho com as onças-pintadas na Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do Brasil, onde a espécie é classificada como criticamente em risco de extinção.
O trabalho de Yara é focado no Parque Nacional do Iguaçu, localizado no Paraná, onde ela coordena o projeto Onças do Iguaçu. A iniciativa visa a preservação das onças-pintadas como espécie-chave para a biodiversidade local e tem sido fundamental para melhorar a convivência entre essas majestosas criaturas e as comunidades ao redor. A premiação não só reconhece o valor do trabalho de Yara, mas também a importância da fauna brasileira para o equilíbrio ecológico.
Além do prestigiado prêmio, Yara recebeu um prêmio de 50 mil libras (aproximadamente R$ 370 mil), que serão investidos em novas ações e projetos de conservação ao longo do ano. Com esses recursos, ela poderá ampliar suas pesquisas e ações de proteção à fauna da região, garantindo que as onças-pintadas continuem a prosperar na natureza, sem o risco de extinção.
O projeto Onças do Iguaçu é inovador ao tratar da preservação das onças-pintadas não apenas como uma questão ambiental, mas também como um desafio social. Yara e sua equipe trabalham ativamente com as comunidades locais para evitar conflitos entre os felinos e as pessoas. Um dos maiores desafios da região é o contato entre as onças e animais domésticos, como vacas e galinhas. A equipe do projeto realiza visitas periódicas, oferecendo orientação sobre como evitar esses encontros e criando condições para que as onças e as pessoas possam coexistir pacificamente.
Uma das estratégias utilizadas é educar os moradores locais sobre práticas de manejo de animais domésticos, como não deixar vacas com bezerros na mata, o que atrai as onças. Além disso, quando necessário, a equipe ajuda a construir galinheiros e canis mais seguros, a fim de proteger os animais de criações domésticas e evitar que as onças sejam vistas como uma ameaça.
Para Yara, o trabalho é uma forma de assegurar que as onças-pintadas possam viver em paz em seu habitat natural, sem a intervenção humana que altere seu comportamento. “Onde tem onça, tem vida. Tudo o que a onça quer é ser onça: caçar suas presas, ter seus filhotes, viver em paz em seu ambiente. Não são más… Não são cruéis. São carnívoros, que caçam para sobreviver. Quando o ser humano passa a oferecer comida para atrair esses animais, isso altera o equilíbrio da relação entre pessoas e onças”, explicou em uma de suas publicações.
Yara também ressaltou a importância de respeitar a natureza selvagem das onças: “Não há onça mansa, mas existe coexistência pacífica. Nosso trabalho visa salvar as onças e as pessoas que compartilham o planeta com elas”, completou a cientista. Para ela, garantir a proteção da espécie é essencial para o equilíbrio ecológico da região.
Além do Whitley Prize, Yara Barros também foi recentemente escolhida como uma das mais destacadas pesquisadoras e exploradoras do mundo, sendo eleita pelo prêmio Women of Discovery (Wings 2025). Este reconhecimento global será entregue a ela em outubro deste ano, em Nova York, o que destaca ainda mais a contribuição de cientistas brasileiras para a preservação ambiental no cenário mundial.
O prêmio Whitley e outros reconhecimentos recebidos por Yara Barros evidenciam a importância do trabalho de conservação no Brasil, especialmente em um ano crucial para a agenda ambiental global, já que o país sedia a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
A premiação de Yara é um marco para a ciência e a conservação ambiental, não apenas pela relevância do seu trabalho com a onça-pintada, mas também pela maneira como ela tem buscado promover uma convivência harmoniosa entre as pessoas e a fauna local. Sua paixão pelo trabalho de conservação e pelo bem-estar das onças-pintadas serve de inspiração para outras iniciativas de preservação e para cientistas ao redor do mundo.







