O governo brasileiro recusou oficialmente a proposta apresentada pelos Estados Unidos para reconhecer o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A demanda foi feita durante um encontro diplomático entre representantes dos dois países, ocorrido na última terça-feira (6), em Brasília.
De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubo, a legislação brasileira adota uma definição restrita para o termo “terrorismo”, aplicando-o apenas a atos violentos com motivação ideológica, religiosa ou racial direcionados contra o Estado ou a população civil. Nesse contexto, afirmou Sarrubo, as facções citadas são consideradas, no Brasil, como organizações criminosas de perfil tradicional, envolvidas em tráfico de drogas, armas e outros delitos, mas sem finalidade política.
A intenção dos EUA ao propor essa classificação é ampliar os instrumentos legais disponíveis para perseguir membros dessas facções fora do território brasileiro, inclusive por meio de sanções econômicas e ações coordenadas de inteligência. Autoridades americanas alegam que o PCC e o CV mantêm operações em vários estados norte-americanos, como Nova York, Flórida e Nova Jersey, onde estariam envolvidos com tráfico internacional e lavagem de dinheiro.
Especialistas em segurança pública, no entanto, afirmam que a adoção do rótulo de “terrorismo” pode gerar mais obstáculos do que soluções, especialmente no campo diplomático. Segundo eles, o combate ao crime organizado transnacional requer colaboração entre países, mas com base em leis nacionais e no respeito à soberania de cada nação.
Essa recusa por parte do Brasil surge em meio a um contexto de alerta crescente sobre a internacionalização das atividades dessas facções. Nos últimos meses, investigações indicaram uma trégua estratégica entre PCC e CV, o que pode resultar na ampliação de suas redes de tráfico e facilitar ações criminosas dentro e fora do país. Paralelamente, o governo do Rio de Janeiro discute com autoridades americanas um possível reconhecimento do CV como organização criminosa transnacional, visando reforçar o combate à atuação da facção no exterior.
A decisão brasileira evidencia a postura do governo federal em priorizar uma abordagem legalista e cooperativa no enfrentamento do crime organizado, evitando medidas que possam comprometer princípios constitucionais ou a política externa do país.





