O relatório preliminar sobre a queda do helicóptero que transportava o cantor Rick Sollo, conhecido por integrar a dupla sertaneja Rick e Renner, revelou um detalhe importante para a investigação do acidente ocorrido em Santa Catarina. O gravador de voz da cabine da aeronave, conhecido como caixa-preta, não continha registros de áudio correspondentes ao voo que terminou na morte de cinco pessoas.
As informações foram divulgadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pela apuração técnica de acidentes aeronáuticos no país. Os investigadores conseguiram extrair os arquivos armazenados no equipamento, mas identificaram que os diálogos gravados eram referentes a uma intervenção de manutenção realizada em data ainda não determinada.
A ausência das conversas do voo representa uma limitação para a reconstrução dos momentos que antecederam a tragédia. O conteúdo de um gravador de voz pode ajudar os investigadores a compreender o que os tripulantes conversavam, quais procedimentos estavam sendo realizados e se houve algum alerta ou situação anormal dentro da cabine. Neste caso, entretanto, esse material específico não poderá fornecer as informações esperadas sobre o trajeto que terminou na queda.
O helicóptero envolvido no acidente era um Bell 430, de matrícula PP-MGR, fabricado em 2001. O equipamento de gravação de voz, identificado pela sigla CVR, correspondente a Cockpit Voice Recorder, havia sido instalado na aeronave em maio de 2002 e tinha capacidade para armazenar aproximadamente 30 minutos de áudio.
Segundo o relatório, embora o helicóptero possuísse o dispositivo, a legislação aplicável àquela operação não exigia a instalação de um gravador de voo. O fato de o equipamento estar presente, portanto, não significa que todos os registros esperados tenham sido efetivamente preservados.
Outro ponto observado pelos investigadores envolve os procedimentos de verificação do gravador. Conforme o documento, o manual do equipamento previa a realização de um teste de funcionamento antes do primeiro voo do dia. No entanto, esse procedimento não aparecia na lista de verificações encontrada junto à aeronave. A informação foi incluída no relatório, mas não representa, isoladamente, uma conclusão de que essa circunstância tenha provocado ou contribuído para a queda.
Além da ausência dos áudios referentes ao acidente, o documento apresenta informações sobre o histórico de funcionamento do helicóptero. Entre os pontos analisados estão relatos de falhas intermitentes nos geradores da aeronave, componentes responsáveis pela produção de energia elétrica. Dependendo do sistema e do modelo, problemas nessa área podem afetar diferentes equipamentos e funções do helicóptero, motivo pelo qual os registros passaram a integrar as análises técnicas.
Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, havia relatos anteriores de falhas recorrentes nos geradores, inclusive em situações de exposição à umidade, como voos realizados dentro de nuvens ou sob chuva. Um mecânico teria recomendado que a aeronave retornasse à oficina para uma nova avaliação, com o objetivo de investigar a origem dos problemas.
O histórico de manutenção também inclui o registro de um pouso de emergência realizado anteriormente, após a identificação de uma vibração considerada anormal. Esses episódios fazem parte do conjunto de informações que os investigadores precisam examinar para determinar se existia alguma relação entre as condições anteriores da aeronave e o acidente.
Apesar dos relatos de falhas, não é possível afirmar, neste momento, que os geradores tenham causado a queda. A existência de um problema mecânico anterior não comprova automaticamente que ele tenha provocado um acidente posterior. Para estabelecer uma eventual relação, é necessário avaliar os componentes, os registros técnicos, as condições de funcionamento e as demais evidências reunidas durante a investigação.
As condições meteorológicas também estão entre os fatores considerados pelo Cenipa. O relatório descreve a presença de um sistema frontal sobre a região Sul do Brasil, acompanhado de nebulosidade e áreas de precipitação. As informações meteorológicas disponíveis indicavam chuva, redução da visibilidade e condições de obscurecimento das montanhas na região da Serra Geral.
Imagens de uma câmera de segurança instalada nas proximidades do Morro da Igreja, em Santa Catarina, também mostravam a paisagem encoberta. Esse tipo de registro pode ajudar a contextualizar as condições visuais encontradas na região no período do acidente, embora não substitua a análise completa das condições enfrentadas pela tripulação durante o voo.
De acordo com o relatório, o helicóptero colidiu contra o terreno em uma área montanhosa da Serra Catarinense, nas proximidades do Morro Convento dos Padres, em Urubici. A região apresenta relevo acidentado, o que também tornou as operações de localização e resgate mais difíceis.
O acidente ocorreu em 21 de setembro de 2026. A aeronave havia decolado de Porto Belo, no litoral catarinense, com destino a outro ponto do estado, e acabou desaparecendo durante o deslocamento. Os destroços foram localizados posteriormente em uma área de difícil acesso, mobilizando equipes de busca e salvamento.
Além do cantor Rick, morreram o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. A morte das cinco pessoas causou repercussão e levou à expectativa de que a investigação pudesse esclarecer as circunstâncias da tragédia.
Com a divulgação do relatório preliminar, os investigadores passaram a contar com informações mais detalhadas sobre o histórico da aeronave, as condições meteorológicas e os elementos encontrados no local da queda. Mesmo sem os áudios do voo, outras evidências podem contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.
Entre os materiais recolhidos durante os trabalhos estavam aparelhos eletrônicos, como celulares, tablets e uma câmera fotográfica. Esses equipamentos ficaram sob a responsabilidade da Polícia Científica de Santa Catarina, enquanto os procedimentos para extração e análise dos dados são conduzidos conforme a atuação das autoridades competentes.
A investigação aeronáutica tem como objetivo identificar fatores que possam ter contribuído para a ocorrência e, quando necessário, propor medidas para prevenir acidentes semelhantes. Por esse motivo, a apuração considera diferentes áreas, incluindo fatores humanos, condições operacionais, manutenção, desempenho técnico dos sistemas e circunstâncias ambientais.
É importante destacar que um relatório preliminar não equivale à conclusão definitiva de uma investigação. As informações divulgadas representam o estágio dos trabalhos até o momento e podem ser complementadas ou modificadas à medida que novas análises forem realizadas.
A ausência dos registros de voz impede que os investigadores utilizem as conversas da cabine como uma fonte direta para compreender o que ocorreu nos momentos finais do voo. Ainda assim, a análise de destroços, componentes mecânicos, documentos de manutenção, condições meteorológicas e outros registros pode oferecer elementos importantes para esclarecer a sequência dos acontecimentos.
O Cenipa não apontou uma causa definitiva para o acidente e informou que as análises complementares continuam. Dessa forma, tanto as falhas anteriormente relatadas quanto as condições climáticas devem ser tratadas como elementos sob investigação, sem que se atribua a qualquer um deles, isoladamente, a responsabilidade pela queda.
A expectativa é que o avanço dos exames técnicos permita compreender melhor as circunstâncias que levaram à colisão da aeronave com o terreno. A conclusão dependerá da avaliação conjunta das evidências e da elaboração do relatório final.
Enquanto a investigação prossegue, o caso reforça a importância dos procedimentos de manutenção, das verificações operacionais e do acompanhamento das condições meteorológicas na aviação. O esclarecimento dos fatores envolvidos será fundamental para transformar as informações reunidas em conhecimento capaz de contribuir para a segurança de futuros voos.





