A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi oficialmente instaurada no Congresso Nacional em 17 de junho de 2025. O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), leu o requerimento que formalizou a criação da comissão, que contará com 15 deputados e 15 senadores, com prazo de até 180 dias para concluir seus trabalhos .
A investigação ganhou impulso após a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União. A operação revelou que entidades associativas estavam realizando descontos mensais não autorizados nos benefícios de aposentados e pensionistas, totalizando cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Até o momento, aproximadamente 3,3 milhões de pessoas já contestaram esses descontos irregulares e solicitaram ressarcimento .
No entanto, a instalação da CPMI não ocorreu sem controvérsias internas. O Partido Liberal (PL), que possui a maior bancada na Câmara dos Deputados, inicialmente disputava a relatoria da comissão. Contudo, diante de disputas internas por vagas no colegiado, o PL decidiu abrir mão da relatoria. O presidente da comissão, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que a relatoria será atribuída a um membro de um partido de centro, visando um equilíbrio político na condução dos trabalhos .
A composição da CPMI reflete a complexidade política do momento. O governo federal busca influenciar a presidência e a relatoria da comissão, evitando que nomes do Partido dos Trabalhadores (PT) assumam essas posições. Há especulações de que o senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado do governo, seja indicado para a presidência, enquanto a relatoria poderia ser destinada à deputada Tabata Amaral (PSB-SP), considerada uma figura de centro.
A oposição, por sua vez, vê na CPMI uma oportunidade para criticar a gestão do governo, especialmente no que tange à demora em iniciar as investigações sobre as fraudes no INSS. A expectativa é que a comissão se torne um palco de embates políticos, com governistas e opositores disputando o controle narrativo sobre o caso.
A instalação da CPMI do INSS marca o início de uma investigação que promete revelar detalhes sobre um dos maiores esquemas de fraude envolvendo recursos públicos no país. Com a previsão de início dos trabalhos para agosto, após o recesso parlamentar, a comissão deverá ser acompanhada de perto pela sociedade e pelos órgãos de controle, dada a magnitude dos valores envolvidos e as implicações políticas que o caso acarreta.





