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Cargill retoma produção nos EUA

Cargill retoma produção nos EUA
Imagem: Reuters

A Cargill vai retomar a produção de carne bovina em sua unidade de Fort Morgan, no estado do Colorado, nos Estados Unidos, após os trabalhadores aprovarem um novo acordo trabalhista com a empresa. A decisão encerra uma disputa que vinha afetando as atividades da unidade desde abril e abre caminho para o retorno dos funcionários e da produção.

A previsão é de que os trabalhadores voltem às atividades no dia 24 de agosto, enquanto a retomada dos abates está programada para 7 de setembro. Cerca de 1,7 mil funcionários foram afetados pela paralisação e estavam sem receber salários desde maio, período em que a empresa suspendeu as operações enquanto negociava um novo contrato com os trabalhadores.

O novo acordo terá duração de cinco anos e foi aprovado pela maioria dos funcionários sindicalizados. Entre as principais medidas está um reajuste de US$ 1,40 por hora no salário-base durante o primeiro ano de vigência. Uma proposta anterior apresentada pela companhia havia sido rejeitada, prolongando as negociações e mantendo a unidade parada.

Com a aprovação do novo contrato, a Cargill poderá preparar a estrutura para o retorno das operações. Antes da retomada dos abates, os funcionários deverão voltar ao trabalho para participar dos procedimentos necessários para colocar novamente a unidade em funcionamento.

A retomada acontece em um momento de desafios para o setor de carne bovina dos Estados Unidos. O país enfrenta uma forte redução no número de bovinos disponíveis, cenário que vem pressionando os preços dos animais e aumentando os custos para os frigoríficos.

O rebanho americano está no menor nível em décadas. A redução da quantidade de animais disponíveis para abate está relacionada a diferentes fatores, entre eles as condições climáticas adversas e períodos prolongados de seca que afetaram áreas de pastagem importantes para a pecuária.

Com menos gado disponível, os frigoríficos precisam pagar mais pelos animais utilizados na produção. Esse cenário reduz as margens das empresas e aumenta a pressão sobre toda a cadeia produtiva da carne bovina.

A situação também afeta os produtores rurais. A menor oferta de animais tende a manter os preços do gado em níveis elevados, enquanto os frigoríficos precisam encontrar maneiras de equilibrar os custos de produção com a demanda do mercado.

Nesse cenário, a volta da unidade da Cargill em Fort Morgan ganha importância para a indústria americana. A paralisação havia retirado capacidade de processamento justamente em um período em que o setor já enfrentava dificuldades relacionadas à oferta de animais.

A unidade é uma das operações da Cargill voltadas à produção de carne bovina nos Estados Unidos. Com o acordo trabalhista, a empresa passa a ter maior previsibilidade para organizar suas atividades e retomar gradualmente o ritmo de produção.

Para os funcionários, o acordo representa o fim de meses de incerteza provocados pela paralisação. Além do reajuste salarial previsto para o primeiro ano, o contrato de cinco anos estabelece uma nova base para as relações entre trabalhadores e empresa.

O intervalo entre o retorno dos funcionários, previsto para agosto, e a retomada dos abates, programada para setembro, deve ser utilizado para preparar a unidade para o reinício da produção. A operação de um frigorífico envolve uma série de procedimentos antes que os abates possam ser retomados normalmente.

A volta da Cargill também será acompanhada pelo mercado de carnes, principalmente porque ocorre em um período de oferta limitada de gado nos Estados Unidos. A disponibilidade de animais é um dos principais fatores que influenciam os preços da carne e os resultados das empresas que atuam no processamento.

 

Ana Carolina