A China começou oficialmente a construção de um megaprojeto de infraestrutura energética que promete se tornar a maior usina hidrelétrica do planeta. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Li Qiang e envolve um investimento estimado em mais de US$ 170 bilhões. A hidrelétrica será instalada na borda leste do Planalto Tibetano, em uma região com enorme potencial hidrelétrico.
O empreendimento, considerado o mais ousado do país desde a construção da usina de Três Gargantas, terá capacidade anual de geração de 300 bilhões de quilowatts-hora, equivalente ao consumo total do Reino Unido em um ano. A estrutura será formada por cinco usinas interligadas em cascata, ao longo do rio Yarlung Zangbo, onde o curso d’água apresenta uma queda de 2 mil metros em apenas 50 km.
Repercussão no mercado
A notícia foi bem recebida pelo mercado financeiro chinês, sendo vista como sinal de estímulo ao crescimento econômico. O índice setorial de Construção e Engenharia da China (CSI Construction & Engineering) subiu até 4%, registrando seu maior patamar em sete meses. Empresas ligadas ao setor de infraestrutura, como a Power Construction Corporation e a Arcplus Group PLC, tiveram alta expressiva nas ações, atingindo o limite diário de valorização.
Outras companhias também registraram ganhos significativos, como a Hunan Wuxin Tunnel Intelligent Equipment, fornecedora de equipamentos para túneis, com alta de 30%. Fabricantes de cimento e explosivos, como a Xizang Tianlu Co e a Tibet GaoZheng Explosive Co, também se beneficiaram.
Apesar do entusiasmo interno, o projeto gera preocupações externas. Índia e Bangladesh demonstraram receio quanto ao impacto da barragem sobre os recursos hídricos da região, que são cruciais para milhões de pessoas a jusante. Organizações ambientais alertam para o risco de danos irreversíveis a uma das áreas ecologicamente mais ricas do mundo.
Em resposta, o governo chinês declarou que haverá cuidado especial com a preservação ambiental. A previsão é que a hidrelétrica entre em operação na década de 2030.
Impactos econômicos e sociais
Segundo analistas, o projeto poderá movimentar até US$ 16,7 bilhões por ano em investimentos, considerando um cronograma de construção de 10 anos. O objetivo é fortalecer a economia chinesa em meio a sinais de desaceleração e dar novo fôlego ao setor de obras públicas.
Embora ainda não haja dados oficiais sobre o número de empregos que serão gerados, projetos similares, como o de Três Gargantas, chegaram a empregar cerca de 1 milhão de pessoas. No entanto, esse avanço também veio acompanhado de deslocamentos populacionais em massa, algo que pode se repetir nesse novo projeto.
O ambicioso plano do governo chinês reflete a busca contínua por segurança energética, crescimento econômico e protagonismo global em infraestrutura de larga escala.





