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Congresso acelera fim da taxa das blusinhas

Congresso acelera fim da taxa das blusinhas
Foto: Ricardo Stuckert

O Congresso Nacional deve acelerar a tramitação da medida que prevê o fim da chamada “taxa das blusinhas”, com a expectativa de que a proposta seja analisada e aprovada em um intervalo de aproximadamente 72 horas durante o esforço concentrado previsto para a próxima semana.

A movimentação ocorre após um acordo envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A pauta está entre os assuntos considerados prioritários para votação no Legislativo antes do período eleitoral.

A chamada “taxa das blusinhas” está relacionada ao imposto de importação cobrado sobre compras internacionais de pequeno valor. A Medida Provisória editada pelo governo em maio suspendeu a cobrança de 20% para compras de até US$ 50, fazendo com que, atualmente, essas operações não tenham incidência do imposto federal, permanecendo apenas a cobrança do ICMS estadual.

Para que essa mudança deixe de ser temporária e passe a valer de forma definitiva, entretanto, a Medida Provisória precisa ser aprovada pelo Congresso. O prazo é considerado apertado: caso não seja votada até 8 de setembro, a medida perderá a validade e a cobrança do imposto poderá voltar a vigorar.

A intenção dos líderes do Congresso é aproveitar o esforço concentrado entre 31 de agosto e 4 de setembro para colocar a proposta em votação. O texto precisa passar pela comissão mista e, posteriormente, pelos plenários da Câmara e do Senado. A articulação política busca evitar que a medida perca a validade por falta de deliberação dos parlamentares.

O tema tem forte impacto para consumidores que realizam compras em plataformas internacionais. Com o fim da cobrança federal de 20%, produtos de até US$ 50 podem ficar mais baratos em comparação com o cenário em que a tributação é aplicada. Apesar disso, o consumidor continuará sujeito ao ICMS, imposto estadual que permanece incidindo sobre essas operações.

As compras internacionais acima de US$ 50 continuam submetidas às regras específicas de tributação, incluindo a cobrança de 60% de imposto de importação. Dessa forma, a discussão atualmente concentrada no Congresso envolve principalmente as compras de menor valor, realizadas dentro das condições estabelecidas pela legislação e pelo programa Remessa Conforme.

A tentativa de eliminar definitivamente a cobrança também provoca resistência entre representantes da indústria e do varejo brasileiro. Entidades do setor argumentam que a manutenção da isenção para produtos estrangeiros pode aumentar a concorrência com empresas nacionais, especialmente em segmentos que disputam diretamente o mercado com mercadorias importadas.

A Confederação Nacional da Indústria, por exemplo, manifestou oposição ao fim da cobrança e alertou para possíveis impactos sobre a produção e o emprego no país. A entidade defende que a tributação seja mantida como forma de reduzir a diferença de tratamento entre produtos importados e aqueles fabricados no Brasil.

Do outro lado, os defensores do fim da taxa argumentam que a medida beneficia diretamente os consumidores, principalmente aqueles que utilizam plataformas estrangeiras para adquirir roupas, eletrônicos, acessórios e outros produtos de menor valor. Para esse grupo, a redução da carga tributária pode representar preços mais acessíveis e ampliar o poder de compra da população.

A discussão ganhou ainda mais importância no cenário político de 2026. O governo Lula considera a medida uma pauta de grande apelo popular, principalmente porque a cobrança sobre compras internacionais se tornou uma das questões econômicas mais conhecidas pelos consumidores nos últimos anos. A articulação para aprovar o texto antes das eleições também dá ao tema uma dimensão política.

O acordo entre Lula, Hugo Motta e Davi Alcolumbre representa, portanto, uma tentativa de acelerar uma pauta que vinha enfrentando dificuldades de tramitação. A comissão responsável pela análise da Medida Provisória teve sua reunião adiada anteriormente por falta de consenso sobre o comando do colegiado, mas a pressão para que o texto avance aumentou com a aproximação do prazo final.

A expectativa agora é de que o Congresso concentre os esforços na análise da proposta durante a próxima semana. Se a articulação funcionar conforme o previsto, a votação poderá ocorrer rapidamente, permitindo que o fim da cobrança seja aprovado antes do vencimento da Medida Provisória.

Apesar da previsão de votação acelerada, a aprovação ainda depende da conclusão de todas as etapas legislativas. Câmara e Senado precisam apreciar o texto dentro do prazo, e eventuais alterações podem interferir no cronograma.

O assunto deve continuar no centro do debate político e econômico nos próximos dias, principalmente pelo impacto que uma eventual aprovação poderá ter sobre consumidores, empresas brasileiras e o comércio internacional. A decisão do Congresso definirá se a suspensão do imposto será transformada em uma regra permanente ou se a cobrança poderá retornar após o fim da validade da medida provisória.

Em meio à corrida eleitoral, o fim da “taxa das blusinhas” se tornou uma das principais pautas de interesse direto do consumidor e também um ponto de disputa entre governo, parlamentares, indústria e varejo. Agora, a expectativa está voltada para os próximos dias e para a votação que poderá definir o futuro da tributação sobre as compras internacionais de pequeno valor.

Ana Carolina