Os Correios fecharam o ano de 2024 com um prejuízo recorde de R$ 3,2 bilhões, o maior já registrado pela empresa. O resultado negativo superou até mesmo o déficit de R$ 2,1 bilhões contabilizado em 2015, acendendo um alerta sobre a sustentabilidade financeira da estatal. De acordo com o presidente da companhia, Fabiano Silva dos Santos, a principal razão para o rombo foi a chamada “taxa das blusinhas”, implementada pelo governo federal.
A nova taxação, que passou a valer em agosto de 2024, impôs uma alíquota de 20% sobre encomendas internacionais de até US$ 50. O objetivo da medida era aumentar a arrecadação federal e equilibrar a concorrência entre empresas nacionais e estrangeiras de comércio eletrônico. No entanto, a mudança provocou um forte recuo na demanda por entregas internacionais via Correios.
Antes da nova política, a estatal respondia por aproximadamente 98% do mercado de remessas vindas do exterior. Após a entrada em vigor da taxa, essa participação despencou para cerca de 30%, refletindo diretamente na receita da empresa. Os Correios esperavam arrecadar R$ 5,9 bilhões em 2024, mas o valor efetivamente recebido foi de R$ 3,7 bilhões — uma queda de 37% em relação à projeção.
A crise nos Correios já preocupa o governo federal. A secretária de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, Elisa Leonel, destacou que o déficit da estatal compromete o equilíbrio financeiro das empresas públicas e exige ações corretivas imediatas.
Como resposta, a direção da empresa anunciou um pacote de medidas emergenciais para tentar conter os gastos. Entre as ações estão a redução da carga horária dos funcionários, suspensão temporária de férias e o fim do regime de trabalho remoto para parte dos colaboradores. A meta é diminuir os custos operacionais e recuperar parte da competitividade perdida no segmento de entregas internacionais.
O prejuízo bilionário e a perda de mercado após a instituição da “taxa das blusinhas” levantam dúvidas sobre a eficácia e os impactos de políticas tributárias voltadas ao comércio digital. Embora a arrecadação do governo tenha crescido com a medida, os efeitos colaterais sobre os Correios mostram que a regulação do setor precisa ser reavaliada para equilibrar arrecadação, concorrência e sustentabilidade das estatais.





