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Direita avança nas urnas e Lula enfrenta desafio no 2º turno

Direita avança nas urnas e Lula enfrenta desafio no 2º turno

O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 desenhou um novo cenário político no Brasil e mostrou um avanço significativo da direita nas urnas. A disputa presidencial terminou com Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto o campo político ligado ao Partido Liberal também ampliou sua presença no Senado e conquistou espaço importante nas disputas pelos governos estaduais.

Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da eleição com cerca de 56,1 milhões de votos, o equivalente a aproximadamente 47% dos votos válidos. Lula, por sua vez, recebeu cerca de 53,9 milhões de votos, correspondentes a 45,2%. Com a diferença entre os dois candidatos, a eleição presidencial segue para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O desempenho de Lula chama atenção principalmente quando comparado com eleições anteriores. O presidente registrou em 2026 sua menor participação percentual nos votos válidos em um primeiro turno desde 1998, desconsiderando aquele pleito em que também concorreu à Presidência. Em 2022, quando disputou a eleição contra Jair Bolsonaro, Lula havia alcançado 48,4% dos votos válidos no primeiro turno. Em 2006, durante sua tentativa de reeleição, chegou a 48,6%, enquanto em 2002, quando conquistou pela primeira vez a Presidência, obteve 46,4%.

A votação de 2026 representa, portanto, um recuo em relação às últimas disputas presidenciais. Em números absolutos, Lula também teve uma redução em relação a 2022, perdendo aproximadamente 3,4 milhões de votos. O resultado evidencia a dificuldade encontrada pela campanha petista para manter o mesmo nível de mobilização eleitoral observado quatro anos atrás.

Na outra ponta, Flávio Bolsonaro conseguiu ampliar a votação alcançada anteriormente por seu pai. Em 2022, Jair Bolsonaro havia recebido aproximadamente 51,1 milhões de votos no primeiro turno. Agora, Flávio chegou a cerca de 56,1 milhões, representando um crescimento de aproximadamente 5 milhões de votos em relação ao desempenho do ex-presidente naquele pleito.

A vantagem conquistada por Flávio também foi acompanhada por uma expansão da direita nas eleições para o Senado. O PL conseguiu eleger 19 senadores em 2026. Somando os nove parlamentares da legenda que já possuíam mandatos definidos pela eleição de 2022, a expectativa é de que o partido passe a contar com 28 cadeiras no Senado a partir de 2027.

O Novo também conseguiu ampliar sua presença na Casa, elegendo três senadores. Com isso, PL e Novo poderão somar 31 parlamentares no Senado, número que representa uma parcela próxima de 40% do total de integrantes da Casa.

O avanço da direita não ficou restrito ao PL. Outros senadores identificados com o campo conservador também foram eleitos por diferentes legendas, o que pode ampliar ainda mais a influência desse grupo nas decisões do Congresso Nacional a partir do próximo ano.

Enquanto a direita avançou, o PT manteve suas dez cadeiras no Senado, sem registrar crescimento no número de representantes. Outros partidos de esquerda, porém, tiveram perdas. O PSB, por exemplo, reduziu sua bancada de sete para três senadores, enquanto o PDT passou de duas para uma cadeira. A Rede, que não possuía representantes, conquistou uma vaga.

O principal espaço perdido no Senado ficou com partidos do chamado centrão. O PSD foi um dos que mais sofreram redução, perdendo nove cadeiras. O resultado altera a composição da Casa e pode influenciar diretamente a formação de maiorias e a relação entre o futuro governo e o Congresso.

A força demonstrada pela direita também apareceu nas eleições para os governos estaduais. O PL, que atualmente administra apenas Santa Catarina, deverá comandar pelo menos cinco estados a partir de 2027, considerando os resultados já definidos no primeiro turno.

Além de Santa Catarina, onde Jorginho Mello foi reeleito, o partido conquistou o governo do Paraná, com Sergio Moro, de Rondônia, com Marcos Rogério, de Roraima, com Arthur Henrique, e do Rio Grande do Sul, com Zucco.

A legenda ainda permanece na disputa em outros estados. No Rio de Janeiro, Douglas Ruas avançou para o segundo turno depois de terminar a primeira etapa com aproximadamente 49,3% dos votos válidos. Ele terá pela frente Eduardo Paes, candidato apoiado por Lula. A diferença entre os dois no primeiro turno deixou Ruas muito próximo da vitória definitiva.

No Amazonas, a candidata do PL, Professora Maria do Carmo, também conseguiu chegar ao segundo turno e mantém a possibilidade de ampliar ainda mais o número de governos estaduais sob influência direta do partido.

O desempenho no Rio de Janeiro também reforça a força eleitoral do bolsonarismo no estado. Desde 2018, os eleitores fluminenses têm demonstrado forte preferência por Jair Bolsonaro, seus familiares e aliados em diferentes disputas. Nas eleições de 2026, essa tendência voltou a aparecer tanto na corrida presidencial quanto nas eleições estaduais e para o Senado.

O PL também conseguiu eleger dois representantes para o Senado pelo Rio de Janeiro, Carlos Portinho, que foi reeleito, e Carlos Jordy. O resultado amplia a presença do partido em uma das principais unidades da Federação e fortalece a bancada ligada ao campo político de Flávio Bolsonaro.

Outro aspecto importante do primeiro turno foi a mudança no mapa eleitoral brasileiro. Flávio Bolsonaro conseguiu avançar em regiões nas quais Jair Bolsonaro já possuía uma base importante e também conquistou áreas que haviam dado maioria a Lula na eleição anterior.

Minas Gerais é um dos principais exemplos dessa mudança. O estado, considerado estratégico em eleições presidenciais e historicamente importante para a formação de maiorias nacionais, havia dado vantagem a Lula em 2022. Em 2026, porém, Flávio Bolsonaro terminou à frente.

Tocantins também mudou de lado em relação ao último pleito. O estado havia dado maioria a Lula em 2022, mas desta vez registrou vantagem para Flávio Bolsonaro.

Ao todo, Flávio foi o candidato mais votado em 15 estados e no Distrito Federal. Lula, por sua vez, manteve a liderança em 12 unidades da Federação, com forte concentração de seu eleitorado na região Nordeste.

O resultado mantém uma divisão regional que já vinha sendo observada em eleições anteriores, mas apresenta diferenças importantes. Lula preservou uma posição forte no Nordeste, enquanto Flávio ampliou sua vantagem em outras regiões do país, especialmente no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e em parte do Norte.

Além da mudança entre estados, houve também alterações importantes dentro dos próprios municípios. Lula perdeu para Flávio em 714 cidades nas quais havia sido o candidato mais votado no primeiro turno de 2022. Ao mesmo tempo, outros milhares de municípios mantiveram a preferência pelo presidente.

Esse movimento mostra que a eleição de 2026 não representou apenas uma disputa nacional entre dois candidatos, mas também uma mudança no comportamento de parcelas do eleitorado em diferentes regiões do país.

Para o PT e para a campanha de Lula, o resultado representa um desafio considerável na preparação para o segundo turno. O presidente terá de buscar uma recuperação de votos e tentar ampliar seu apoio entre eleitores que escolheram outras candidaturas no primeiro turno.

A campanha petista também deverá trabalhar para reduzir a vantagem conquistada por Flávio em estados considerados decisivos. A tarefa será especialmente importante em regiões de grande peso eleitoral, como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Flávio Bolsonaro, por outro lado, chega ao segundo turno em uma posição de vantagem, mas ainda precisará conquistar votos para garantir a maioria necessária para vencer a eleição. O candidato do PL terá de manter a mobilização de sua base e, ao mesmo tempo, tentar atrair eleitores que não votaram nele na primeira etapa.

Outro desafio será a busca por apoio de candidatos que ficaram fora do segundo turno. Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado, por exemplo, não declararam apoio imediato a nenhum dos dois candidatos. A posição desses grupos poderá influenciar a disputa, principalmente entre eleitores que se identificaram com alternativas à polarização.

O resultado do primeiro turno também mostra que o próximo presidente deverá encontrar um Congresso Nacional com uma presença ainda maior da direita e de partidos de centro-direita. Caso Flávio seja eleito, terá um ambiente legislativo potencialmente mais alinhado com sua candidatura. Se Lula conseguir a vitória, precisará administrar uma relação complexa com um Congresso fortalecido por bancadas de oposição.

A nova composição do Senado será particularmente relevante. Com uma bancada expressiva do PL e a presença de outros parlamentares identificados com a direita, projetos do próximo governo deverão depender de negociações intensas e da construção de maiorias.

A eleição de 2026, portanto, já apresenta consequências que vão além da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. O avanço da direita no Senado, o crescimento do PL nos governos estaduais e a mudança do comportamento eleitoral em diversas regiões apontam para uma transformação importante na correlação de forças políticas do país.

Apesar da vantagem obtida por Flávio no primeiro turno, a eleição ainda não está definida. O segundo turno colocará novamente os dois candidatos diante dos eleitores e deverá ser marcado por uma disputa intensa em torno de propostas, alianças e estratégias para conquistar os votos que ficaram com as demais candidaturas.

A votação de 25 de outubro será decisiva para determinar quem assumirá a Presidência da República a partir de 2027. Até lá, o Brasil deverá acompanhar uma nova fase da campanha, marcada pela tentativa de Lula de reverter a vantagem inicial e pelo esforço de Flávio Bolsonaro para ampliar sua liderança e transformar o resultado do primeiro turno em uma vitória definitiva.

O que já está claro, entretanto, é que as urnas de 2026 produziram um forte movimento de crescimento da direita no país. O desempenho de Flávio na disputa presidencial, a expansão do PL no Senado e o aumento do número de governos estaduais sob influência do partido mostram que o cenário político brasileiro entra em uma nova etapa, com uma direita mais forte no Legislativo e nos estados e uma disputa presidencial ainda em aberto.

Ana Carolina