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Discursinhos Políticos de Meia Tijela

Lula e Ciro Gomes
Lula e Ciro Gomes

Discursinhos Políticos de Meia Tijela

 

Parte do PDT está irritada com o presidente Lula, que não teria agido como o partido acha que deveria na proteção ao seu filiado e ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, no episódio das denúncias de esquema de desvio bilionário no INSS. A gritaria foi geral esta semana, com reflexos diferentes na Câmara – rebelião – e no Senado – panos quentes.

 

Isso mesmo. Lula arca com os custos do desgaste, enquanto o ministro da área, que não agiu a tempo e hora pra acabar com o desvio – embora nada conste que esteja envolvido -, não só é defendido como inocente no meio do rodamoinho, sem qualquer responsabilidade com o caso escandaloso em todas as direções, como paga de vítima. Vítima do petista.

 

Essa narrativa do PDT é exatamente o que parece: uma tentativa escancarado de tirar a legenda – com Lupi e tudo – do fogo e da confusão. O ingrediente de fundo é também o mais prosaico de todos, na ordem dos dias eleitorais: Ciro Gomes quer o PDT longe da aliança com o PT e Lula, porque só assim conseguirá se viabilizar como candidato a presidente da República contra o próprio Lula, no ano que vem.

 

O presidente até nomeou outro pedetista para o ministério, querendo apontar que a pasta segue com o partido. Não adiantou. O PDT continua alvoroçado. E na medida em que novas denúncias surgem, mais aumenta a pressão política oposicionista, a bolsonarista com mais força, sobre o governo. A ameaça de uma CPI – ou CPMI, com Senado e Câmara – é uma das nuvens carregadas sobre a cabeça dos governistas. Tempestade em ano pré-eleitoral.

 

O que temos, de fato. Este é só mais um caso concreto de levantamento de bandeira da moralidade e da suposta defesa de interesses públicos elevados, com foco em outra coisa, na prática: as urnas. E os aposentados lesados. E a sociedade traída. E o fim da corrupção? Seguem firmes, da boca pra fora. Continuam exaltados, nos palanques e púlpitos e tribunas e redes sociais e…

 

Enquanto vemos o choro das ideologias teoricamente vilipendiadas, temos a renitência desenfreada da luta pelo poder, com a onipresença, a onisciência e a prevalência do pragmatismo econômico. Faça o teste: procure um discurso inflamado contra os desmandos do mundo, e veja se não encontra em destaque e exultante um demagogo de plantão. Se espremer a laranja, encontrará suco de limão.

 

As soluções precisam chegar. As punições precisam acontecer. As práticas não republicanas precisam ser combatidas. Os aposentados merecem receber de volta o que lhes foi tirado, saber quem roubou o que era deles e ver todos esses bandidos na prisão. O que não merecem: um picadeiro de meia tijela, cheio de palhaços, como resposta ao seu drama. A vida não é um circo, nem espetáculo político.

Editor Sucesso