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Entregadores de Aplicativos Realizam Paralisação em Protesto por Melhorias nas Condições de Trabalho

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Reprodução

Em um ato conjunto em pelo menos 59 cidades brasileiras, incluindo Goiânia, entregadores de aplicativos como iFood, Uber Eats e 99 Delivery iniciaram uma paralisação nesta segunda-feira, 31, com término previsto para o dia 1º de abril. A greve visa pressionar as plataformas a atenderem uma série de reivindicações focadas em melhorias nas condições de trabalho e ajustes nos pagamentos.

Entre as demandas dos trabalhadores estão o aumento da taxa mínima por entrega, atualmente fixada em R$ 6,50, para R$ 10,00, e um reajuste no valor pago por quilômetro rodado, que passaria de R$ 1,50 para R$ 2,50. Além disso, pedem que as rotas para entregas feitas de bicicleta sejam limitadas a 3 km, visando respeitar os limites físicos dos ciclistas, e que as empresas paguem integralmente por cada entrega, sem cortes nos casos de múltiplos pedidos.

A mobilização é organizada por sindicatos e associações de trabalhadores autônomos, que criticam a falta de reconhecimento e de melhorias nas condições de trabalho, apesar da crescente demanda por entregas nos últimos anos.

O presidente do Sindimoto-SP e organizador do evento, Gil Almeida, ressaltou que os entregadores estão há mais de quatro anos sem qualquer tipo de reajuste significativo, uma situação que tem levado a categoria ao limite. “Estamos sendo pressionados a trabalhar mais, mas sem nenhuma compensação justa”, afirmou. A escolha pela data de 1º de abril, Dia da Mentira, tem um forte caráter simbólico, como forma de denunciar o que consideram promessas não cumpridas pelas empresas.

Representantes das plataformas, por sua vez, se manifestaram respeitando o direito de manifestação dos entregadores, mas afirmaram que o setor tem mostrado avanços, como o aumento de 5% na renda média dos trabalhadores, acima da inflação, entre 2023 e 2024.

No entanto, o movimento aponta para um cenário de insatisfação crescente, especialmente diante da falta de regulamentação específica para a profissão. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já iniciou discussões sobre a criação de uma legislação que regulamentasse os direitos dos trabalhadores de aplicativos, mas ainda não há consenso.

A greve, que se expande para mais cidades a cada dia, busca chamar a atenção das empresas para a precariedade do trabalho dos entregadores e a urgência de mudanças estruturais nas condições oferecidas.

Editor Sucesso