A cidade de Los Angeles vive dias de tensão após a decisão do presidente Donald Trump de enviar cerca de 2.000 integrantes da Guarda Nacional para conter protestos em apoio a imigrantes. A medida, anunciada no sábado (7), surge em resposta a manifestações que tomaram as ruas após uma série de ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), voltadas à detenção de estrangeiros sem documentação regular.
As manifestações começaram no dia 6 de junho, após agentes do ICE realizarem operações em áreas com grande presença de imigrantes latinos, incluindo bairros comerciais e residenciais. As detenções em massa acirraram os ânimos e resultaram em protestos em cidades como Paramount — onde mais de 80% da população é de origem hispânica — e em outras regiões da grande Los Angeles. Em diversos pontos, os atos evoluíram para confrontos com a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e dispositivos de dispersão.
O envio da Guarda Nacional foi justificado por Trump com base no Título 10 do Código dos EUA, que autoriza a mobilização de tropas federais em casos de desordem civil. No entanto, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a medida como uma afronta à autoridade estadual, argumentando que a situação não corresponde a uma rebelião nem justifica a intervenção sem consulta ao governo local.
Especialistas em direito constitucional têm levantado dúvidas sobre a legalidade da ação presidencial. Segundo juristas, a legislação exige que o governo estadual esteja incapacitado de manter a ordem para que o presidente possa atuar sem sua anuência — o que, segundo eles, não se aplica à atual situação.
A iniciativa de Trump também reacende o embate político entre o governo federal e a Califórnia, tradicionalmente vista como um bastião progressista e defensora dos direitos de imigrantes. O estado abriga diversas “cidades santuário”, que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração. Para críticos da medida, o envio das tropas seria mais uma tentativa do presidente de pressionar estados opositores e fortalecer sua base conservadora em ano eleitoral.
Mesmo com a presença da Guarda Nacional, os protestos seguem ativos em bairros como Compton e o centro de Los Angeles. Manifestantes exigem o fim imediato das operações do ICE e a regularização de imigrantes em situação vulnerável. A crise expõe um profundo racha entre lideranças locais e federais sobre a condução da política migratória nos Estados Unidos.





