O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, acusou o Brasil e outros 40 países de ajudarem a China a contornar as tarifas impostas pelos americanos. A acusação aparece em um documento divulgado pela Casa Branca nesta quinta-feira (13).
Segundo o relatório, a prática chamada de “transbordo ilegal” ocorre quando produtos de um determinado país passam por uma terceira nação antes de chegar ao destino final, com o objetivo de evitar tarifas ou outras restrições comerciais.
O Brasil foi incluído pelos Estados Unidos entre os países que fariam parte dessa rede. No documento, Washington classifica o país como uma importante plataforma regional de produção e logística, que poderia ser utilizada para redirecionar mercadorias ou transformar produtos antes de sua entrada no mercado americano.
Além do Brasil, países como Argentina, Chile, Colômbia e Peru também aparecem relacionados aos chamados “corredores latino-americanos”. Outras nações, como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã, também são citadas no relatório americano.
De acordo com estimativas apresentadas pelos Estados Unidos, o suposto esquema de transbordo poderia representar perdas entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões para a economia americana.
A acusação acontece em um momento de forte tensão comercial. Atualmente, produtos chineses estão sujeitos a uma tarifa de 50% nos Estados Unidos, enquanto produtos brasileiros enfrentam sobretaxas que, segundo o documento, chegam a 37,5%.
A Casa Branca sustenta que a estratégia de utilizar países intermediários permitiria que produtos chineses chegassem ao mercado americano com tarifas menores ou escapassem de determinadas medidas comerciais. O Brasil, por sua vez, passa a estar no centro de mais uma disputa envolvendo as políticas tarifárias do governo Trump.
A acusação americana aumenta a pressão sobre as relações comerciais entre Brasil, Estados Unidos e China e pode trazer novos desdobramentos para o comércio internacional.





