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EUA atrasam vistos de ministros da comitiva de Lula

EUA atrasam vistos de ministros da comitiva de Lula
Getty Images

O governo brasileiro elevou o tom contra os Estados Unidos após a demora e a recusa na emissão de vistos para integrantes da comitiva que acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para o dia 23 de setembro, em Nova York.

A questão foi levantada na última sexta-feira (12), durante uma reunião da ONU que inicialmente discutiria o veto à entrada de representantes palestinos em território norte-americano. Na ocasião, o Brasil também expôs sua insatisfação com as dificuldades enfrentadas por seus representantes.

Entre os casos pendentes está o do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que ainda não teve o visto concedido. A situação preocupa o Itamaraty, que avalia o episódio como uma possível violação do acordo de sede firmado entre os EUA e a ONU.

Segundo Marcelo Marotta Viegas, diretor do Departamento de Organismos Internacionais, os Estados Unidos têm a obrigação legal de garantir a entrada de delegações dos 193 países membros da organização. Ele ressaltou que, se os vistos não forem liberados, o Brasil poderá solicitar a abertura de um procedimento arbitral no âmbito da ONU para analisar o caso.

Relações em crise

O impasse ocorre em meio a um dos momentos mais delicados das relações bilaterais. A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) provocou reações negativas em Washington. Autoridades americanas chegaram a cogitar novas sanções contra membros do governo brasileiro, especialmente o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

Fontes diplomáticas apontam ainda que o governo Trump teria condicionado a retirada da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros ao arquivamento do processo contra Bolsonaro — o que não ocorreu. Como retaliação, vistos de integrantes da comitiva, inclusive de familiares de ministros, teriam sido revogados.

Agenda de Lula em Nova York

Apesar das tensões, o presidente Lula mantém sua agenda internacional e deve embarcar para Nova York no próximo fim de semana, com retorno previsto para o dia 25. Ele será responsável pelo tradicional discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, seguido pelo presidente dos Estados Unidos.

Além da plenária, o chefe do Executivo brasileiro também participará de debates sobre democracia, mudanças climáticas e o reconhecimento do Estado palestino.

Editor Sucesso