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EUA e 14 países aliados de Trump anunciam sanções contra PCC e CV

EUA e 14 países aliados de Trump anunciam sanções contra PCC e CV

Os Estados Unidos e outros 14 países aliados do presidente norte-americano Donald Trump anunciaram nesta terça-feira, 22 de setembro, um pacote de sanções conjuntas contra 24 organizações criminosas classificadas como narcoterroristas, entre elas as duas maiores facções brasileiras: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).O anúncio foi feito durante uma reunião da coalizão Escudo das Américas, realizada em Nova York à margem da 81ª Assembleia Geral da ONU.

A iniciativa atendeu a um pedido direto de Donald Trump, que tem feito da segurança no hemisfério uma de suas principais bandeiras de política externa.Segundo a declaração conjunta divulgada pelo Departamento de Estado americano, os países assinaram um acordo para designar formalmente as 24 organizações como “ameaças imediatas e universalmente compartilhadas no hemisfério” e aplicar ações individuais e coletivas para enfrentar o que chamaram de flagelo do narcoterrorismo.Entre as medidas previstas estão o congelamento de bens e ativos financeiros, restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores das organizações, e a responsabilização criminal de pessoas que, conscientemente, forneçam apoio material ou logístico aos grupos. As sanções serão aplicadas conforme as leis de cada país e suas obrigações internacionais.Em seu discurso na ONU, Trump chegou a comparar as facções aos grupos extremistas do Oriente Médio.

“Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos”, afirmou o presidente americano.O Escudo das Américas foi criado em março de 2026, após um convite de Trump para uma reunião na Flórida. Fazem parte do bloco os Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

O Brasil e o México não integram a aliança e ficaram de fora do acordo.Além do PCC e do CV, a lista de 24 organizações inclui grupos como Mara Salvatrucha (MS-13), Tren de Aragua da Venezuela, Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Cartel del Golfo, Clan del Golfo da Colômbia, Exército de Libertação Nacional (ELN), dissidências das FARC e Sendero Luminoso do Peru.A declaração também prevê ampliar o compartilhamento de inteligência, o acesso a tecnologias de segurança, treinamentos conjuntos e a troca de informações entre os países. Para viabilizar as medidas, o acordo recorre a um mecanismo de reciprocidade previsto pela Organização dos Estados Americanos (OEA), com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).

A decisão americana de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras já havia sido anunciada em maio, com vigência a partir de 5 de junho de 2026. A medida tem efeitos jurídicos e financeiros nos EUA, como bloqueio de ativos e punição a pessoas ou empresas que prestem apoio aos grupos.O governo brasileiro, que não participa do Escudo das Américas, discorda da classificação como terrorismo e sustenta que PCC e CV são organizações criminosas que devem ser combatidas com base na legislação nacional. A diplomacia brasileira ainda avalia os impactos da nova declaração conjunta.

Ana Carolina