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EUA monitoram crise envolvendo Moraes

EUA monitoram crise envolvendo Moraes

O governo dos Estados Unidos acompanha de perto a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e avalia a possibilidade de adotar novas medidas contra autoridades brasileiras, entre elas o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo, com base em relatos de uma autoridade do Departamento de Estado americano.

Segundo a reportagem, o governo do presidente Donald Trump já teria elaborado possíveis medidas de sanção e estaria acompanhando os próximos acontecimentos no Supremo antes de decidir se irá colocá-las em prática. A sessão extraordinária do STF marcada para 15 de setembro é considerada um momento importante para essa avaliação.

Na ocasião, os ministros deverão analisar o relatório produzido pela Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O documento e as circunstâncias que levaram à sua divulgação provocaram uma forte crise interna na Corte e ampliaram a pressão política em torno do caso.

De acordo com a autoridade americana ouvida pela Folha, Washington pretende observar como os ministros irão se posicionar durante a sessão e quais serão os próximos passos do Supremo. A depender do resultado, o governo americano poderá avaliar a adoção de novas medidas contra Moraes e eventualmente outros integrantes da Corte.

Uma das possibilidades analisadas seria novamente o uso da chamada Lei Magnitsky, mecanismo utilizado pelos Estados Unidos para aplicar sanções financeiras e restrições contra pessoas acusadas de envolvimento em determinadas violações. Moraes já havia sido alvo desse instrumento em 2025, quando o governo americano determinou medidas contra o ministro.

Na ocasião anterior, as sanções acabaram sendo retiradas posteriormente, em meio a um período de aproximação entre o governo Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, diante do novo cenário envolvendo o STF, a possibilidade de retomada das medidas voltou a ser discutida dentro do governo americano.

A crise brasileira também passou a receber atenção especial em Washington devido às suas possíveis consequências políticas. O governo dos Estados Unidos estaria avaliando não apenas os aspectos institucionais do conflito envolvendo o Supremo, mas também os efeitos que eventuais sanções poderiam provocar sobre as eleições brasileiras de 2026.

Segundo a reportagem, existia dentro do governo americano uma preocupação de que novas medidas contra autoridades brasileiras pudessem acabar favorecendo eleitoralmente o presidente Lula. Para tentar medir esse impacto, aliados do governo Trump encomendaram uma pesquisa de opinião realizada em agosto.

O levantamento ouviu quase 2 mil eleitores em diferentes regiões do Brasil e perguntou, entre outros pontos, qual seria o efeito de uma eventual retomada das sanções financeiras contra Alexandre de Moraes na escolha do eleitor.

Os resultados apresentados pela pesquisa indicaram que a maior parte dos entrevistados afirmou que uma eventual punição ao ministro não alteraria sua decisão eleitoral. Outra parcela declarou que ficaria mais inclinada a votar no senador Flávio Bolsonaro, enquanto uma porcentagem menor afirmou que a medida poderia aumentar sua disposição de votar em Lula.

A interpretação desses dados, segundo a reportagem, teria reduzido dentro do governo americano o receio de que uma nova rodada de sanções produzisse um efeito eleitoral favorável ao presidente brasileiro.

Além da pesquisa, integrantes ligados ao campo político de Jair Bolsonaro vêm defendendo há meses uma postura mais dura do governo dos Estados Unidos em relação ao Supremo. Entre os nomes citados estão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o empresário Paulo Figueiredo, que mantêm diálogo com integrantes da administração Trump.

A possível adoção de novas sanções, no entanto, ainda não está definida. A decisão final caberá ao presidente Donald Trump, e, segundo a autoridade ouvida pela Folha, não existe um calendário estabelecido para que as medidas sejam anunciadas ou executadas.

O cenário também depende da evolução da crise dentro do próprio STF. O conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou força após a divulgação de informações relacionadas às comunicações entre Moraes e Daniel Vorcaro. A situação acabou provocando uma série de decisões e reações entre integrantes da Corte.

Na tentativa de conter o agravamento da crise, o presidente do STF, Edson Fachin, adotou medidas para limitar os efeitos do conflito interno. Entre elas, retirou temporariamente Moraes da relatoria do inquérito das fake news e suspendeu decisões conflitantes relacionadas ao comando da Polícia Federal. Fachin também convocou uma sessão extraordinária para discutir o relatório da PF e os desdobramentos do caso.

A sessão do dia 15, portanto, passou a ser considerada um dos principais pontos de atenção tanto dentro quanto fora do Brasil. O posicionamento dos ministros poderá influenciar o andamento das investigações e também a avaliação feita pelo governo americano sobre a necessidade de adotar novas medidas.

A possibilidade de novas sanções contra autoridades brasileiras representa ainda um elemento adicional de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos. Qualquer medida desse tipo poderá produzir repercussões diplomáticas, políticas e econômicas, especialmente em um período marcado pela disputa eleitoral brasileira.

Apesar da pressão de setores políticos e do acompanhamento feito pelo governo americano, não há confirmação de que novas sanções serão efetivamente aplicadas. A decisão permanece sob avaliação da administração Trump e dependerá dos próximos acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal.

O episódio demonstra como a crise institucional brasileira ultrapassou as fronteiras nacionais e passou a ser acompanhada também por autoridades estrangeiras. Os próximos passos do STF e o resultado da sessão extraordinária poderão ser determinantes para definir os rumos do caso e a eventual resposta do governo dos Estados Unidos.

Ana Carolina