O governo dos Estados Unidos adotou novas diretrizes para a análise de vistos estudantis, exigindo que solicitantes tornem públicos os seus perfis em redes sociais. A medida visa permitir uma análise detalhada de possíveis conteúdos considerados contrários aos valores e interesses do país.
A norma foi divulgada pelo Departamento de Estado após uma breve suspensão na emissão de vistos estudantis no final de maio, motivada justamente pela reformulação dos critérios de avaliação. A partir de agora, a checagem dos perfis nas redes sociais passa a ser parte obrigatória do processo.
Segundo fontes oficiais, a exigência de perfis desbloqueados tem como objetivo reforçar a triagem de segurança. “Essa revisão aprimorada das redes sociais é essencial para garantir que estamos acolhendo apenas pessoas que respeitam nossos valores e instituições”, declarou um representante do Departamento.
Avaliação ampla de antecedentes
Além dos estudantes, os novos protocolos também podem ser aplicados a candidatos a outros tipos de visto, incluindo os voltados para intercâmbio e trabalho. De acordo com autoridades americanas, publicações consideradas hostis aos Estados Unidos — como apoio a organizações extremistas ou manifestações de teor antissemita — poderão levar à recusa do visto.
Outro ponto polêmico é a rejeição automática de candidatos que não possuem perfis em redes sociais. Segundo os responsáveis pelo programa, a ausência pode ser interpretada como uma tentativa de ocultar informações relevantes.
A medida está em consonância com uma diretriz assinada pelo ex-presidente Donald Trump ainda em seu primeiro dia de mandato, que determinava um rigor maior na verificação de antecedentes de estrangeiros. A política segue ativa sob a atual gestão republicana.
Alvo de críticas
Grupos de direitos civis e instituições de ensino expressaram preocupação com os critérios subjetivos da nova política, especialmente no que se refere à definição de “conteúdo hostil” ou “ameaça à segurança nacional”. O receio é que medidas como essa possam abrir brechas para restrições ideológicas e violações à liberdade de expressão.
O Departamento de Segurança Interna já havia anunciado em abril que redes sociais seriam monitoradas em busca de indícios de discursos antissemitas, apoio a grupos classificados como terroristas ou envolvimento em ativismo político considerado radical.
A nova diretriz já está em vigor e será aplicada a todos os novos pedidos de visto para entrada nos Estados Unidos.





