O ex-presidente do Peru, Alejandro Toledo, foi condenado nesta quarta-feira (3) a 13 anos e quatro meses de prisão por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro, no caso conhecido como Ecoteva. Esta é a segunda sentença contra o ex-chefe de Estado, que já havia sido condenado a 20 anos e seis meses no caso Odebrecht. Ambas as penas serão cumpridas simultaneamente.
Toledo governou o país entre 2001 e 2006. A nova condenação tem como base a utilização de recursos de origem não comprovada para a compra de imóveis e quitação de uma hipoteca. Segundo a Justiça peruana, os valores envolvidos vieram da Ecoteva Consulting Group, empresa registrada na Costa Rica e presidida por sua sogra, também investigada no processo, junto com sua esposa.
Durante o julgamento, iniciado em abril de 2023, o ex-presidente negou as acusações e voltou a se declarar inocente. Na audiência desta quarta-feira, ao ser questionado se aceitava a decisão judicial, respondeu com um firme “Não!”, e anunciou que pretende recorrer à Suprema Corte.
Conexão com o caso Odebrecht
As autoridades apontam que os recursos usados no esquema Ecoteva têm ligação direta com valores recebidos da construtora brasileira Odebrecht, que já admitiu o pagamento de subornos em diversos países para obter contratos públicos. No caso peruano, a Odebrecht teria transferido mais de US$ 30 milhões a Toledo em troca de benefícios na concessão de trechos do Projeto da Rodovia Interoceânica, que liga o Peru ao Brasil.
A primeira sentença, referente ao caso Odebrecht, foi proferida em outubro de 2024 e condenou Toledo por conluio e lavagem de dinheiro.
Prisão e possíveis benefícios
Atualmente com 79 anos, Toledo cumpre pena no Presídio de Barbadillo, em Lima, onde também estão detidos outros ex-presidentes peruanos envolvidos em casos de corrupção, como Ollanta Humala, Martín Vizcarra e Pedro Castillo. O ex-presidente também dividiu a prisão com Alberto Fujimori, seu antigo adversário político, que faleceu recentemente.
Em 2023, o Peru conseguiu a extradição de Toledo dos Estados Unidos, e parte dos valores envolvidos foi confiscada na Costa Rica.
Toledo poderá solicitar prisão domiciliar por razões humanitárias ao completar 80 anos, conforme prevê uma lei aprovada em 2024.





