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Ex-servidor do BC diz à PF que Vorcaro tinha seis rotas de fuga

Ex-servidor do BC diz à PF que Vorcaro tinha seis rotas de fuga

Uma nova revelação da Operação Compliance Zero está complicando ainda mais a situação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo depoimento prestado à Polícia Federal por um ex-servidor do Banco Central, Vorcaro teria mapeado e informado à própria cúpula do BC que tinha seis rotas de fuga preparadas para evitar a prisão.A informação foi detalhada por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, e divulgada pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles. De acordo com o relato, o aviso sobre os planos de evasão chegou à equipe reguladora no próprio dia da operação, por volta das 6h30 da manhã do dia 17 de novembro de 2025.

Quem teria comunicado a diretoria do BC foi Ailton de Aquino, então diretor de Fiscalização do órgão. Vorcaro estava desde as 6h34 da manhã em contato direto com Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão, e com o próprio Paulo Sérgio, tentando negociar a venda da instituição financeira e articular uma saída.Para os investigadores da Polícia Federal, essa movimentação comprova que o banqueiro não foi pego de surpresa.

Documentos que tiveram o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, mostram que Vorcaro já sabia da iminência da operação e antecipou a tentativa de deixar o país.A PF identificou que, antes de ser preso na noite do dia 17 de novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Vorcaro tinha registrado pelo menos três planos de voo diferentes.

Para os investigadores, a existência de múltiplas rotas reforça a tese de fuga e desmonta a versão da defesa de que ele iria apenas fechar negócio no exterior.Na versão apresentada pela defesa, Vorcaro iria a Dubai para concluir a venda do Master a um grupo de investidores árabes, em uma parceria com o Grupo Fictor. Às 17h24 do dia 17, o próprio banqueiro anunciou que o banco teria sido comprado por um consórcio liderado pela Fictor Holding, com um aporte imediato de R$ 3 bilhões.

A PF avalia que o anúncio serviu como uma “cortina de fumaça” para justificar a viagem para um país sem acordo de extradição com o Brasil.A Fictor, no entanto, não tinha lastro para a operação. Três meses depois do anúncio, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial declarando dívidas de R$ 4,3 bilhões. Um dos sócios, Rafael Góis, hoje também é acusado de fraudes bancárias.A cronologia levantada pela PF também aponta que, em 16 de novembro, véspera da prisão, Vorcaro registrou uma anotação sobre a proximidade de uma pessoa com o juiz federal Ricardo Soares Leite, responsável por medidas adotadas contra ele. Na manhã do dia 17, ele recebeu mensagens classificadas como urgentes de seu advogado, Walfrido Warde, e logo depois informou que marcaria um voo com saída de Congonhas. Antes disso, a PF já rastreava o banqueiro e identificou indícios de que um helicóptero foi usado para despistar o monitoramento.Procurada, a defesa de Vorcaro chamou as informações sobre fuga de especulações e afirmou que ele buscava “soluções de mercado hígidas para o conglomerado Master, com boa-fé, transparência e deferência ao regulador”. Os advogados dizem que todas as tratativas de venda foram informadas ao Banco Central.

No dia seguinte à tentativa de fuga frustrada, em 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, colocando fim a um dos maiores escândalos bancários dos últimos anos. As investigações agora tentam descobrir quem avisou Vorcaro sobre a operação.

Ana Carolina