Ministério Público aponta que a vítima foi brutalmente agredida com socos e chutes, vindo a falecer por traumatismo craniano. Casal mantinha uma relação de nove anos e tinha uma filha.
O fisiculturista Igor Porto Galvão irá a julgamento pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (26), em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital goiana. Ele é réu no processo que investiga a morte da companheira, Marcela Luíse de Souza Ferreira, ocorrida em maio de 2024. O caso é tratado como feminicídio — homicídio cometido contra mulher por razões da condição de sexo feminino.
De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO), o crime teria ocorrido no dia 10 de maio de 2024, após uma discussão entre o casal. Na ocasião, Igor teria desferido diversos golpes contra Marcela, utilizando socos e chutes, o que causou múltiplas lesões corporais e traumatismo craniano. Mesmo após a violência, ele ainda teria tentado ocultar o crime ao dar banho na vítima e levá-la, desacordada, até um hospital particular, alegando que ela teria se machucado ao sofrer uma queda enquanto limpava a casa.
Os médicos que atenderam Marcela no hospital desconfiaram da versão apresentada por Igor. As lesões no corpo da paciente não eram compatíveis com um acidente doméstico simples. Diante disso, a equipe médica comunicou o caso à Polícia Civil. Marcela ficou internada por dez dias em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. O exame cadavérico confirmou que a causa da morte foi traumatismo craniano.
Após o falecimento, a Polícia Civil iniciou a investigação e reuniu provas suficientes para solicitar a prisão temporária do fisiculturista. Igor foi preso no dia 17 de maio de 2024, uma semana após levar a vítima ao hospital. Relatos colhidos durante as investigações revelaram que Marcela já apresentava sinais de agressão em outras ocasiões. Vizinhos e conhecidos relataram que ela frequentemente aparecia com hematomas e até mesmo com dentes quebrados. No entanto, segundo testemunhas, ela evitava comentar sobre o assunto, o que levantou suspeitas de um histórico de violência doméstica.
O Ministério Público enquadrou o crime como homicídio qualificado, com cinco agravantes: motivo fútil, uso de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, feminicídio (por razões da condição de sexo feminino) e o fato de o crime ter sido cometido no contexto de uma relação doméstica.
Histórico do casal
Igor e Marcela estavam juntos havia cerca de nove anos e viviam em união estável. Do relacionamento, nasceu uma filha, que agora vive com familiares da vítima. Segundo amigos próximos, o relacionamento era marcado por episódios de ciúmes e possessividade por parte do acusado, mas a vítima nunca chegou a formalizar denúncias contra ele antes do ocorrido.
Com o julgamento marcado para esta quinta-feira, familiares e amigos de Marcela esperam que a Justiça seja feita. Movimentos de apoio à vítima devem se reunir em frente ao fórum de Aparecida de Goiânia durante a sessão do júri, com cartazes e pedidos por punição exemplar ao acusado.
A defesa de Igor Galvão nega as acusações e sustenta que a morte de Marcela foi resultado de um acidente doméstico. No entanto, a tese é contestada pelo conjunto de provas reunidas pelos investigadores, incluindo laudos periciais e testemunhos que indicam um histórico de agressões.
Feminicídio no Brasil
O caso de Marcela Luíse se soma a uma preocupante estatística nacional. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou, apenas em 2024, mais de 1.400 casos de feminicídio — o que equivale a quase quatro mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. A maioria dos crimes é cometida por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, dentro do próprio ambiente familiar.
A legislação brasileira considera feminicídio um crime hediondo, com pena que pode variar de 12 a 30 anos de prisão, podendo ser agravada em casos que envolvam crianças, gestantes ou reincidência.





