Apesar de divulgar um quadro de crise financeira, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), enfrenta questionamentos frente aos números oficiais que indicam uma melhora nas finanças municipais. Em coletiva realizada na quinta-feira (29), Mabel destacou que a prefeitura registrou um superávit primário de R$ 705 milhões no primeiro quadrimestre de 2025, com receitas totais de R$ 3,49 bilhões — um crescimento real de 8,27% em comparação ao mesmo período do ano passado.
A arrecadação de tributos, como IPTU (R$ 662 milhões), ISS (R$ 483 milhões) e IRRF (R$ 243 milhões), também apresentou resultados positivos. Além disso, o gestor municipal mencionou uma redução de cerca de R$ 600 milhões nos gastos, fruto de cortes em investimentos e despesas correntes. Outro dado relevante é a queda no índice de comprometimento com despesas de pessoal, que ficou em 44,48%, valor abaixo do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Mesmo diante destes indicadores favoráveis, Mabel mantém a justificativa de que o município ainda vive um estado de calamidade financeira, argumento que, segundo ele, facilita negociações com fornecedores e o acesso a recursos federais. O prefeito ressaltou ainda que a prefeitura assumiu dívidas estimadas em R$ 4 bilhões, incluindo pendências na área da saúde e em órgãos como a Comurg e o Imas.
Entretanto, o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) já manifestou sua posição contrária à oficialização da calamidade financeira, alegando que há alternativas administrativas disponíveis para recuperar o equilíbrio fiscal da cidade. Parlamentares de oposição, como o vereador Cabo Senna (PRD), também criticam a manutenção do discurso de crise, destacando que a arrecadação da prefeitura teve crescimento considerável em relação ao ano anterior.
Essa divergência entre os dados oficiais e o discurso da administração municipal levanta dúvidas sobre a real necessidade de manter o estado de calamidade, além de reforçar a importância da transparência na gestão dos recursos públicos. A oposição promete intensificar a fiscalização e exigir esclarecimentos detalhados sobre as finanças da capital.





