Nos primeiros meses de 2025, o Brasil vivencia um aumento significativo nos casos de dengue, com destaque para o estado de Goiás, que já registrou mais de 3 mil casos nas primeiras sete semanas do ano. Esse crescimento é uma preocupação tanto para as autoridades de saúde quanto para a população, pois a dengue continua a ser uma das doenças tropicais mais comuns e perigosas no país. A situação é alarmante, pois, além do número elevado de casos, os sintomas da doença podem levar a complicações graves, com risco de morte.
O boletim epidemiológico de arboviroses de Goiânia, divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) nesta quinta-feira (20), aponta que, nas sete primeiras semanas de 2025, já foram registrados 2.899 casos confirmados de dengue. De acordo com relatório da SMS, a Região Noroeste concentra o maior número de ocorrências.
Além dos casos de dengue, também foram confirmados 12 casos de febre chikungunya, doença que também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer, detalhou o aumento na quantidade de casos na cidade. “O Distrito Sanitário Noroeste é atualmente a região com a maior incidência de casos, diferentemente do que havíamos visto nas semanas anteriores. O índice de casos de dengue no distrito chega a 294 a cada 100 mil habitantes”, afirma o secretário.
A dengue é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, e seus sintomas começam a aparecer de 3 a 14 dias após a picada do mosquito infectado. Os sinais mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dores atrás dos olhos, dor nas articulações e músculos, e manchas vermelhas na pele. Em alguns casos, a doença evolui para formas mais graves, como a dengue hemorrágica, que pode levar a sangramentos, queda de pressão arterial e até o colapso dos órgãos, sendo potencialmente fatal.
Cerca de 80% dos casos de dengue são leves e podem ser tratados com repouso, hidratação e medicamentos para controle da febre e dor. No entanto, em casos mais graves, é necessária a internação hospitalar para monitoramento e suporte ao paciente, o que aumenta a pressão sobre os sistemas de saúde, especialmente durante surtos.
As mudanças climáticas têm um papel importante no aumento dos casos de dengue em todo o Brasil. O aumento da temperatura e as chuvas mais intensas favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em água parada. As mudanças nos padrões climáticos tornam as condições mais favoráveis para que o mosquito se reproduza em diferentes regiões do país, ampliando a incidência da doença.
Em Goiás, por exemplo, as chuvas frequentes e as temperaturas mais altas contribuem para a criação de novos criadouros para os mosquitos, o que explica a alta no número de casos. Além disso, as regiões urbanas, que apresentam maior concentração de lixo e resíduos, também são ambientes propícios para a reprodução do mosquito, intensificando o problema.
A crescente urbanização, combinada com as alterações climáticas, forma um ciclo perigoso, onde a população fica mais exposta ao risco de infecção. O aumento da temperatura média e a instabilidade climática, com períodos de seca seguidos de chuvas intensas, tornam mais difícil o controle da doença, com os mosquitos sendo capazes de se multiplicar rapidamente, mesmo em pequenos focos de água.
A luta contra a dengue requer uma ação conjunta entre a população e as autoridades. O combate ao mosquito envolve medidas simples, como evitar o acúmulo de água em recipientes ao ar livre, a limpeza de caixas d’água, o uso de repelentes e telas nas janelas, além da eliminação de lixo que pode servir de criadouro. As campanhas de conscientização também são essenciais para alertar a população sobre a importância dessas ações.
Além disso, é fundamental que o poder público invista em melhorias na infraestrutura urbana, como o tratamento adequado de resíduos e o controle do esgoto, para reduzir os focos de proliferação do mosquito.
Com as mudanças climáticas afetando diretamente o cenário da dengue, é preciso intensificar os esforços de prevenção e controle para minimizar o impacto dessa doença no Brasil e, especialmente, em Goiás, que já enfrenta uma situação preocupante em 2025. O desafio é grande, mas a conscientização e a ação contínua podem fazer a diferença no combate à dengue.





