A indústria de carnes em Goiás anunciou a suspensão temporária das exportações de carne bovina para os Estados Unidos, após o governo americano estabelecer uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, que passa a valer a partir de 1º de agosto.
De acordo com o Sindicato das Indústrias de Carnes de Goiás (Sindicarne-GO), a medida gera preocupação entre os produtores, que atualmente possuem grandes estoques acumulados. Com mais de 200 mil toneladas de carne já enviadas aos EUA neste ano, esse mercado representa o segundo maior destino para as carnes goianas, atrás apenas da China.
Leandro Stival, presidente do Sindicarne-GO, comentou sobre o desafio: “É necessário tempo para encontrar novos parceiros comerciais. Precisamos analisar contratos existentes e avaliar a demanda em outros países para esses cortes.”
Enquanto isso, frigoríficos goianos e de outros estados, como Mato Grosso do Sul, também têm interrompido o abate de bovinos destinados ao mercado americano, redirecionando a produção para o mercado interno e outras nações, o que pode causar pressões no preço da carne para consumidores e produtores locais.
Jaime Verruck, secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação do Mato Grosso do Sul, confirmou que empresas de grande porte, como JBS e Marfrig, suspenderam o abate para exportação aos EUA. Segundo ele, “com a nova taxa, manter as exportações para os Estados Unidos se torna inviável economicamente.”
Os Estados Unidos são um mercado importante para a carne brasileira, sendo o segundo maior destino para as exportações de Mato Grosso do Sul em 2024, com quase 50 mil toneladas enviadas, atrás apenas da China. No entanto, com a nova tarifa, a expectativa é de redução significativa nas exportações nos próximos meses.
Além da suspensão dos abates, o setor enfrenta o problema do aumento de estoques, já que o redirecionamento para outros mercados não ocorre de imediato.
O governo estadual mantém diálogo com a União para tentar negociar prazos que permitam escoar os estoques atuais e buscar alternativas para as exportações, minimizando os impactos econômicos.





