O Ministério da Saúde anunciou a seleção de 202 instituições que vão criar ou ampliar programas de residência médica e multiprofissional, com foco na qualificação de profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS). A medida busca enfrentar a desigualdade na distribuição de médicos especialistas pelo Brasil, especialmente em regiões com baixa cobertura assistencial.
A iniciativa faz parte de um edital lançado em maio, voltado para instituições públicas e filantrópicas sem fins lucrativos. O principal objetivo é fortalecer a formação médica em locais com menor acesso a profissionais especializados, como o Norte e Centro-Oeste, que concentram juntos menos de 15% dos especialistas do país.
A escolha das instituições priorizou aquelas localizadas em áreas com maior vulnerabilidade social e menor densidade de especialistas. Também foram favorecidas unidades que ainda não possuem programas de residência ou que buscam expandir sua capacidade formativa.
Entre as áreas contempladas estão especialidades consideradas estratégicas para o SUS, como ginecologia, pediatria (inclusive neonatal e intensiva), cirurgia oncológica, cardiologia, anestesiologia, radioterapia, oftalmologia e medicina intensiva pediátrica.
O cronograma do edital seguiu as etapas de inscrição em maio, avaliação técnica em junho e divulgação dos resultados finais no dia 18 de junho. As instituições selecionadas receberão apoio técnico da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) e incentivo financeiro, incluindo repasses específicos para preceptores e coordenação pedagógica.
Com o avanço do projeto, o Ministério da Saúde também anunciou a abertura de 3.500 bolsas para início em 2026. Destas, 3.000 serão destinadas a residentes médicos e 500 a especialistas já formados, que atuarão diretamente no SUS. As bolsas podem chegar a até R$ 10 mil mensais, conforme a complexidade da área e da região de atuação.
A expansão das residências médicas representa um passo importante na busca por equidade no acesso à saúde. Atualmente, mais da metade dos especialistas do país está concentrada na região Sudeste, enquanto outras regiões enfrentam escassez de profissionais qualificados.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a residência médica é o padrão-ouro da formação profissional e ressaltou a importância da integração entre ensino, serviço e comunidade. Ele também enfatizou as parcerias com instituições de excelência que integram o Proadi-SUS, como os hospitais Sírio-Libanês, Albert Einstein e AC Camargo, que atuarão no apoio à qualificação.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta um descompasso entre o número de formandos em medicina e a quantidade de vagas em residência. Em 2024, cerca de 27 mil médicos recém-formados disputaram pouco mais de 16 mil vagas de acesso direto. A nova política busca reduzir essa lacuna, ao mesmo tempo em que promove a fixação de profissionais nas regiões mais necessitadas.





