Iniciativa busca alternativas viáveis para áreas onde a grama natural não se mantém, especialmente durante o período de estiagem prolongada
A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) deu início à implantação de grama sintética em canteiros centrais de importantes vias da capital. A ação integra um projeto-piloto que tem como objetivo melhorar o aspecto visual das avenidas e, ao mesmo tempo, avaliar o desempenho do material em locais com difícil manutenção de vegetação natural.
A primeira etapa da iniciativa foi realizada na Avenida Castelo Branco, no Setor Coimbra, onde aproximadamente 500 metros de grama sintética foram instalados entre as praças Ciro Lisita e Walter Santos. A escolha do local está diretamente relacionada a uma obra recente: em março deste ano, a via passou por alterações estruturais que resultaram na ampliação da pista de rolamento com a criação de uma terceira faixa, o que reduziu significativamente a largura do canteiro central — de 1,8 metro para 1 metro. Essa mudança tornou inviável o cultivo da grama natural no espaço restante.
Além desse trecho, equipes da Comurg também atuam na instalação do mesmo tipo de revestimento na Rua 44, no Setor Norte Ferroviário. A proposta é observar o desempenho da grama sintética em diferentes condições urbanas e climáticas.
Segundo a Comurg, a escolha pelo uso da grama sintética nesse momento se deve, em grande parte, à seca prolongada que atinge a capital goiana nos meses mais quentes do ano. Durante esse período, a grama natural tende a morrer com facilidade, exigindo irrigação constante e manutenção frequente — o que representa custos adicionais aos cofres públicos.
Reaproveitamento de materiais
Outro aspecto destacado pela Companhia é o aproveitamento de recursos já disponíveis. O material aplicado foi adquirido em gestões anteriores, mas estava armazenado e sem destinação. Parte dele é composta por sobras de obras em quadras esportivas, o que reforça a ideia de evitar desperdícios e dar uma destinação útil aos retalhos que ainda podem ser utilizados.
A grama sintética aplicada possui características que favorecem sua adoção em ambientes urbanos: é resistente ao pisoteio, às altas temperaturas e requer baixa manutenção. Dessa forma, pode se tornar uma solução prática e econômica para áreas onde a implantação de gramado natural é desaconselhada ou impraticável.
Resposta às críticas da comunidade
Após a execução da obra na Avenida Castelo Branco, alguns moradores do Setor Coimbra expressaram insatisfação com a escolha do material sintético, principalmente em relação à estética e à possível elevação da temperatura urbana. Diante das críticas, a Prefeitura de Goiânia se manifestou oficialmente para esclarecer que a medida é pontual e não representa uma substituição em larga escala da vegetação natural da cidade.
Nota oficial da Comurg:
“A utilização da grama sintética se restringe a áreas específicas que passaram por alterações estruturais recentes. A ação visa melhorar o visual urbano, especialmente em locais onde a grama natural não se mantém devido à estiagem. O material utilizado foi adquirido por gestões anteriores e estava estocado. Com a aplicação de sobras de obras anteriores, evitamos o desperdício e oferecemos uma alternativa viável e de baixa manutenção.”
A nota também reforça que a medida é experimental e faz parte de um processo de avaliação. A partir dos resultados obtidos nos locais selecionados, a administração municipal decidirá se a técnica poderá ser replicada em outros pontos da cidade com características semelhantes.
Urbanismo sustentável
A adoção de soluções alternativas para o paisagismo urbano tem sido discutida por várias cidades brasileiras que enfrentam desafios semelhantes. A escassez de chuvas, o crescimento da malha viária e a demanda por espaços de tráfego mais amplos muitas vezes dificultam a preservação de áreas verdes em determinados pontos.
Neste contexto, o uso de materiais sintéticos ou de baixa manutenção surge como uma alternativa prática, desde que utilizado com critérios técnicos e ambientais. Em Goiânia, o projeto-piloto será monitorado e avaliado nos próximos meses, e qualquer expansão dependerá dos resultados obtidos nessa fase inicial.





