A Polícia Civil de São Paulo está conduzindo uma investigação sobre o furto de obras sacras de igrejas históricas da cidade, após uma denúncia feita pela Igreja Nossa Senhora do Carmo, localizada no centro da capital paulista. O caso ganhou destaque quando a igreja identificou o desaparecimento de um crucifixo de prata maciça, considerado de elevado valor histórico e financeiro. A suspeita surgiu após um levantamento feito por funcionários da instituição, que perceberam que peças do acervo, reconhecidas como patrimônio histórico, estavam desaparecendo.
Imagens de câmeras de segurança da igreja revelaram que o responsável pelo furto seria um ex-funcionário da igreja. Nas filmagens, o homem aparece saindo de salas com objetos históricos, como quadros, que foram colocados no porta-malas de seu carro. A partir dessas imagens, a polícia iniciou a investigação, que levou à realização de um mandado de busca e apreensão na tarde de quarta-feira, 26 de fevereiro, no apartamento do suspeito, situado no centro de São Paulo.
Durante a operação, os agentes encontraram um grande número de itens de valor histórico, como mantos, quadros, ornamentos e duas bíblias em latim. Esses objetos, que podem ser anteriores ao século 18, são de alto valor no mercado de arte sacra clandestina, conforme avaliação de especialistas como Mateus Rosada, professor de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo ele, os itens encontrados têm grande importância histórica, e seu tráfico poderia representar um grande prejuízo para o patrimônio cultural.
Além dessa apreensão, a polícia também descobriu um segundo local onde estavam armazenados mais objetos de arte sacra. O endereço, no bairro de Higienópolis, no centro de São Paulo, abrigava o que pode ser descrito como um “museu particular” de arte sacra. Foram encontrados no local 40 quadros, entre eles retratos da família real brasileira, três telas, 17 castiçais, 20 imagens sacras feitas de cerâmica e cinco batinas, além de outros objetos religiosos. A investigação sugere que o decorador, que prestava serviços para várias igrejas na capital paulista e na Grande São Paulo, teria furtado essas peças para comercializá-las no mercado ilegal.
O decorador, identificado como o principal suspeito, foi ouvido pela polícia, mas negou qualquer envolvimento nos furtos. Ele alegou que parte dos objetos encontrados em seu apartamento era de herança familiar, enquanto outros teriam sido comprados de boa-fé em feiras de antiguidades. No entanto, a polícia segue investigando a veracidade dessas alegações e busca confirmar a origem das peças. Ele foi liberado após ser ouvido, mas as investigações continuam para determinar se outros itens furtados de igrejas na cidade também estão em posse do suspeito.
A investigação teve início quando uma representante da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, também no centro de São Paulo, procurou o 1º Distrito Policial da Sé para relatar o furto de vários objetos litúrgicos, entre eles um crucifixo de prata maciça, tombado pelo Patrimônio Histórico. A situação se agravou quando as câmeras de segurança da igreja mostraram o decorador entrando em uma sala, onde, menos de cinco minutos depois, ele apareceu com objetos cobertos por um pano. Ele foi visto colocando as peças no porta-malas do seu carro.
Após o incidente, o decorador confessou que havia levado o crucifixo e o devolveu à igreja, mas outros itens continuaram desaparecidos. Diante das evidências, a polícia solicitou uma autorização judicial para realizar a busca no apartamento do suspeito, que resultou na apreensão de um vasto acervo de obras sacras, que foram levadas para a delegacia para segurança e análise.
As investigações indicam que o decorador pode ter atuado de forma sistemática, furtando peças de várias igrejas e vendendo-as no mercado ilegal de arte. Representantes da Igreja Nossa Senhora do Carmo devem comparecer à delegacia nesta sexta-feira (27) para identificar formalmente os itens apreendidos. A polícia também espera que outras igrejas que contrataram os serviços do decorador compareçam à delegacia para realizar o reconhecimento das peças que foram encontradas.
Até o momento, as autoridades estão em busca de mais informações para esclarecer a extensão dos furtos e o envolvimento de outras igrejas na trama criminosa. A polícia investiga se outros objetos sacros foram roubados e comercializados no mercado ilegal, e se há outras pessoas envolvidas no esquema. O decorador, embora tenha sido liberado, ainda é considerado suspeito, e a investigação continua.
A apreensão de dezenas de objetos de valor histórico levanta a importância da preservação do patrimônio religioso e cultural das igrejas históricas de São Paulo. O caso destaca a vulnerabilidade desses bens, que, além de serem símbolos religiosos, representam parte da rica história cultural da cidade. As autoridades seguem trabalhando para devolver o máximo possível das obras sacras roubadas e responsabilizar os envolvidos neste esquema de furto e comercialização ilegal de arte sacra.





