Carregando cotação do dólar...

Frei Chico, Irmão de Lula, Dirige Sindicato Alvo de Operação da PF Sobre Fraudes no INSS

Irmão de Lula investigado
Frei Chico Irmão de Lula - Foto reprodução redes sociais

 

José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), uma das entidades investigadas pela Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto. A operação, deflagrada em 23 de abril de 2025, apura um esquema de fraudes bilionárias envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

Em entrevista ao Estadão, Frei Chico afirmou que espera que a PF investigue “toda a sacanagem que tem” no INSS, destacando que o Sindnapi não cometeu irregularidades. Ele enfatizou que o sindicato já foi auditado anteriormente e está tranquilo quanto à sua conduta.

 

No organograma do Sindnapi, Frei Chico ocupa o cargo de vice-presidente, estando abaixo apenas do diretor-presidente Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como “Milton Cavalo”. Milton afirmou que o sindicato não sofreu busca e apreensão durante a operação.

 

A Operação Sem Desconto, conduzida pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU), investiga 11 entidades que teriam participado de um esquema que descontava mensalidades sem o conhecimento ou autorização dos aposentados e pensionistas. Segundo a PF, os descontos alcançaram R$ 7,99 bilhões, e quase 100% deles foram considerados irregulares. As entidades formalizavam Acordos de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS, permitindo o desconto em folha dos beneficiários do órgão. Em muitos casos, a liberação dos descontos era fraudada.

 

Para investigar as irregularidades, a PF entrevistou 1.300 beneficiários que tinham descontos em folha de pagamento. Em geral, eles não reconheciam ter autorizado os descontos ou acreditavam que eram obrigatórios.

 

Além do Sindnapi, a operação da PF mirou outras entidades, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), a Associação de Aposentados e Pensionistas do Estado de São Paulo (AAPPS Universo), entre outras.

 

Após o início da operação, seis servidores públicos foram afastados de suas funções. Um dos que caíram foi o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, que pediu demissão após ordem do presidente Lula. Um policial federal também foi retirado do cargo.

O Sindnapi, cuja sede fica na cidade de São Paulo, divulgou duas notas após a operação da PF. Uma delas saiu em defesa de Frei Chico, destacando sua trajetória respeitada no sindicalismo. A nota enfatizou que a diretoria do sindicato reúne lideranças com mais de 25 anos de atuação no movimento sindical brasileiro.

 

Frei Chico iniciou sua militância ainda nos anos 1960, antes mesmo do irmão, como metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP), e foi um dos pioneiros na organização dos trabalhadores no ABC Paulista. Ele atuou com coragem durante o regime militar, sendo uma das vozes mais firmes na luta pela redemocratização do Brasil e pelos direitos dos anistiados políticos.

 

A operação da PF e da CGU trouxe à tona questões sobre a transparência e a legalidade dos descontos realizados em benefícios do INSS. A investigação busca identificar responsáveis por fraudes que afetaram milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.

 

Enquanto isso, Frei Chico mantém sua posição de confiança na integridade do Sindnapi e aguarda o desenrolar das investigações. Ele reafirma que o sindicato está tranquilo e que está à disposição para colaborar com as autoridades competentes.

 

A Operação Sem Desconto é um marco importante na luta contra fraudes no sistema de seguridade social do Brasil. Ela ressalta a importância da fiscalização e da transparência na gestão dos recursos públicos, especialmente aqueles destinados ao bem-estar dos aposentados e pensionistas.

 

À medida que as investigações avançam, espera-se que mais esclarecimentos sejam feitos sobre o funcionamento dos esquemas fraudulentos e que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados por suas ações.

 

O caso também levanta questões sobre a necessidade de reformas no sistema de descontos e contribuições dos beneficiários do INSS, visando maior segurança e proteção contra práticas ilícitas.

Editor Sucesso