Israel e Hamas retomaram as conversas indiretas no Catar nesta segunda-feira (7), com o objetivo de firmar um cessar-fogo duradouro e viabilizar um acordo de troca de reféns em Gaza. As negociações ocorrem antes de uma reunião marcada entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para os próximos dias em Washington.
Segundo autoridades israelenses, a delegação recebeu instruções claras para buscar um acordo nos termos que já foram previamente aceitos por Israel. A expectativa é que um desfecho positivo possa ser anunciado ainda esta semana, conforme indicado por Trump em declarações recentes.
As conversas, mediadas por Catar e Egito, voltaram a ser realizadas após uma ofensiva aérea israelense de 12 dias contra alvos iranianos — um movimento que reacendeu tensões na região. Fontes próximas às negociações descreveram o clima como “positivo”, embora as reuniões iniciais, realizadas no domingo, não tenham chegado a um consenso definitivo. A questão da ajuda humanitária também foi debatida, mas detalhes não foram divulgados.
O plano apoiado pelos EUA prevê um cessar-fogo de 60 dias, com liberação progressiva de reféns, retirada parcial das forças israelenses de Gaza e discussões mais amplas sobre um possível encerramento da guerra. A principal divergência segue sendo o fim total do conflito: enquanto o Hamas exige o término completo da ofensiva militar em troca da libertação de todos os reféns, Israel mantém sua posição de só encerrar os combates após o desmantelamento do grupo islâmico.
Apesar da resistência de membros mais conservadores da coalizão de Netanyahu, o crescente desgaste da guerra — que já dura 21 meses — tem pressionado o governo israelense a buscar uma solução negociada.
O conflito foi deflagrado em 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas atacaram o sul de Israel, resultando na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de 251 civis. Estima-se que cerca de 50 reféns ainda estejam detidos em Gaza, sendo que pelo menos 20 podem estar vivos.
Em resposta ao ataque, Israel iniciou uma ofensiva militar que já provocou mais de 57 mil mortes em Gaza, segundo dados das autoridades locais. A operação também gerou uma crise humanitária de grandes proporções, com deslocamento em massa da população e destruição generalizada do território palestino.





