Desastre ambiental completa mais de 30 dias e mobiliza autoridades para retirada de 42 mil m³ de lixo que atingiram o Córrego Santa Bárbara
A limpeza da área afetada pelo deslizamento de resíduos no lixão da empresa Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), deve ter início nesta segunda-feira (21). A ação acontece pouco mais de um mês após o colapso de uma enorme pilha de lixo que acabou invadindo o leito do Córrego Santa Bárbara, causando contaminação da água e danos ambientais significativos.
A empresa responsável pelo local apresentou, na última sexta-feira (18), comprovantes de contratação do maquinário necessário para o início da operação. Serão utilizadas duas escavadeiras hidráulicas, nove caminhões (um da própria empresa), um caminhão-pipa, um rolo compactador e um trator de esteira, que auxiliarão na remoção dos resíduos acumulados.
Etapas de preparação
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad), o isolamento da massa de lixo que deslizou já foi finalizado, tanto na parte anterior ao ponto de contato com o córrego (montante) quanto na posterior (jusante). Também foi iniciada a montagem da célula de contenção provisória dentro do terreno da própria empresa, que servirá para armazenar os resíduos durante a retirada.
A Ouro Verde informou ainda que adquiriu uma manta impermeabilizante para evitar a contaminação do solo pela nova célula. O acesso de veículos à grota foi aberto e preparado para permitir o deslocamento dos caminhões durante a remoção do lixo.
Monitoramento e acordos
Em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado no dia 11 de julho, a empresa também contratou uma companhia especializada para monitorar a qualidade da água em oito pontos diferentes da região, com coletas semanais programadas para as sextas-feiras. As análises realizadas até agora pela Semad foram limitadas devido à falta de equipamentos adequados para detectar metais pesados no chorume.
O TAC obriga a Ouro Verde a iniciar a retirada dos resíduos até 21 de julho, sob pena de sanções legais.
Histórico do desastre
O desmoronamento ocorreu no dia 18 de junho, por volta das 9h30. Funcionários do lixão perceberam a instabilidade da pilha de resíduos e evacuaram a área antes do colapso, o que evitou vítimas. Ainda assim, a empresa não notificou o ocorrido às autoridades. A Semad só tomou conhecimento do fato através da imprensa, cerca de seis horas depois.
Desde 2016, o lixão já havia sido autuado oito vezes e operava com base em uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), mesmo com tentativas reiteradas do governo estadual para o fechamento da operação.
No dia 19 de junho, a secretária de Meio Ambiente, Andréa Vulcanis, visitou o local, determinou o embargo imediato do lixão, apreendeu cinco máquinas e criou um gabinete de crise formado por representantes da Semad, ICMBio, prefeitura local, Bombeiros e Defesa Civil.
Ações emergenciais
Inicialmente, a empresa apresentou planos de contenção inconsistentes, o que levou o governo estadual a buscar na Justiça o bloqueio de bens da empresa, no valor de R$ 17,1 milhões, ampliado posteriormente por solicitações do Ministério Público Estadual e Federal.
Além do deslizamento, um foco de incêndio surgiu no lixão no dia 24 de junho, agravando ainda mais o cenário. O fogo, que começou a cerca de 150 metros do topo da pilha, foi controlado em 24 horas.
Em 30 de junho, o governo anunciou uma intervenção direta na gestão da crise, iniciando ações em campo, como a abertura de acesso à grota e o bombeamento da água contaminada por cima da massa de resíduos, a fim de conter a poluição.
Famílias que vivem próximas ao lixão receberam água potável distribuída em caminhões-pipa e galões de 20 litros, além de cestas básicas.
Multas e compromissos
A Semad concluiu a primeira avaliação dos danos ambientais e aplicou uma multa de R$ 37,5 milhões à empresa Ouro Verde. Além disso, foram utilizados drones agrícolas para aplicar inseticidas e controlar a infestação de moscas.
No início de julho, um encontro entre representantes da empresa e autoridades estaduais definiu os termos do TAC, que prevê responsabilidades claras e prazos rígidos para a execução das medidas de correção.





