O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, nesta segunda-feira (21), em Santiago, no Chile, de uma reunião internacional de alto nível voltada à defesa da democracia, do combate à desinformação e da redução das desigualdades. O evento foi organizado pelo presidente chileno Gabriel Boric e reúne também os líderes da Espanha, Colômbia e Uruguai.
A cúpula marca a continuidade da iniciativa lançada em 2024 por Brasil e Espanha, com o objetivo de unir lideranças políticas e acadêmicas na criação de estratégias conjuntas contra o avanço do extremismo político e a desinformação digital. Segundo o Itamaraty, este encontro prepara o terreno para uma nova rodada de debates que ocorrerá durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, em Nova York.
Embora o evento não tenha como foco oficial o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o contexto geopolítico influencia diretamente as discussões. O governo brasileiro tem expressado preocupação com ações e declarações recentes de Trump, que incluem críticas abertas ao governo Lula e medidas comerciais polêmicas, como novas tarifas sobre produtos brasileiros. Fontes diplomáticas destacam, no entanto, que a intenção é evitar a personalização do debate, mantendo o foco em ameaças globais à ordem democrática.
Apoiadores internacionais e bastidores da reunião
Entre os nomes que reforçam o encontro está o economista e Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, que afirmou recentemente que as ações de Trump em relação ao Brasil “são ilegais” e que Lula “merece apoio internacional neste momento crítico”. Ele participará de um almoço com os chefes de Estado, promovido por Gabriel Boric.
Paralelamente à agenda oficial, ocorre em Santiago o Festival da Democracia, com a presença de organizações da sociedade civil da América Latina, incluindo a Fundação Siembra, criada pelo ex-presidente uruguaio José Mujica, falecido em maio deste ano.
Durante a reunião de presidentes, serão debatidos quatro eixos principais:
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Ameaças às instituições democráticas
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Impacto da desigualdade social
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Desinformação e discurso de ódio
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Regulação de plataformas digitais e big techs
A expectativa é de que o encontro produza uma declaração curta, com foco em medidas práticas. Uma das inspirações vem da União Europeia, que tem avançado na criação de leis para responsabilizar influenciadores e plataformas pela propagação de notícias falsas — algo que o Brasil estuda adotar com base na experiência espanhola.
Conjuntura regional e riscos crescentes
A escolha do Chile como sede não é por acaso. O país se prepara para eleições presidenciais em novembro, com forte ascensão de candidatos da extrema direita, como José Antonio Kast, aliado ideológico de Trump. A possibilidade de uma guinada conservadora no Chile e também na Colômbia, onde haverá eleições em 2026, preocupa analistas e participantes do encontro.
O Uruguai, por outro lado, tem sido visto como um dos poucos pontos de estabilidade para o progressismo na região. A recente vitória da Frente Ampla reforça o papel do país como contraponto à onda conservadora que se espalha em outras nações latino-americanas.
Para analistas e representantes presentes no evento, o momento é de resistência. A crescente influência política de grandes plataformas digitais, a disseminação de fake news e a tentativa de interferência externa em processos eleitorais são desafios comuns enfrentados por todas as democracias da região.
Como destacou um diplomata brasileiro envolvido nas negociações:
“O maior risco hoje não é apenas perder uma eleição. É perder a democracia como a conhecemos”.





