O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está se organizando para viajar a Nova York, onde participará da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nos próximos dias. Esta viagem ocorre em um contexto de intensificação das tensões com a administração norte-americana, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Lula deve discursar na abertura da assembleia, um compromisso que tradicionalmente assume todos os anos. Além disso, ele participará de reuniões bilaterais e eventos paralelos ao encontro da ONU. Recentemente, o secretário de Estado de Donald Trump, Marco Rubio, anunciou que responderá à condenação de Bolsonaro, que foi sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado após perder as eleições de 2022.
Medidas Provisórias em Resposta às Tarifas
Em meio a esse cenário, o governo Lula também apresentou uma medida provisória (MP) para ajudar empresas exportadoras impactadas pelas tarifas impostas pelos EUA. Denominada Plano Brasil Soberano, a MP inclui várias iniciativas de apoio aos pequenos exportadores, como:
- Compras Governamentais: Os Estados poderão adquirir produtos perecíveis destinados à exportação para serem utilizados em programas sociais, como merendas escolares.
- Linhas de Crédito: O governo disponibilizará R$ 30 bilhões em linhas de crédito subsidiadas para as empresas mais afetadas.
- Ampliação do Reintegra: O programa que devolve impostos a pequenas empresas exportadoras será estendido a todas as empresas do setor.
- Prorrogação do Regime de Drawback: O governo estendeu os prazos de suspensão de tributos sobre matérias-primas utilizadas na fabricação de produtos destinados à exportação.
Resposta do Governo Brasileiro
Em resposta às ameaças de Marco Rubio, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) do Brasil afirmou que essas tentativas de intimidação não afetarão a democracia brasileira. Lula, em um artigo publicado no New York Times, defendeu a decisão da Suprema Corte e negou a existência de uma “caça às bruxas”, termo utilizado por Trump e seus aliados em referência ao julgamento de Bolsonaro. O presidente enfatizou que o Brasil está aberto a negociações que beneficiem ambos os países, mas reafirmou que a soberania do Brasil não está em discussão.
As relações entre Brasil e Estados Unidos têm sido tensas desde a imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras. Apesar dos esforços de diplomatas brasileiros, a administração Trump permanece relutante em dialogar sobre a flexibilização dessas medidas.





