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Mercado espera superquarta com juros em direções opostas no Brasil e EUA

Mercado espera superquarta com juros em direções opostas no Brasil e EUA

A semana é de superquarta, termo usado pelo mercado quando o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, decidem os juros na mesma semana.Nesta quarta-feira, os dois comitês se reúnem após a divulgação de dados importantes de inflação. No Brasil, o IPCA de agosto registrou queda de 0,32%, resultado puxado pelo alívio nos preços da energia e abaixo da projeção de -0,29% esperada pelo mercado. Nos EUA, o cenário foi oposto: o CPI, índice de preços ao consumidor, subiu 0,4% em agosto, com núcleo de 0,3%, e o PPI, índice de preços ao produtor, acumula alta de 5,4% em 12 meses.Por isso, as apostas são diferentes. No Brasil, a expectativa unânime entre analistas é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, hoje em 14%.

Nos Estados Unidos, a maioria do mercado espera uma alta de 0,25 ponto, levando a taxa dos atuais 3,50% a 3,75% para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.Segundo economistas, para o Brasil existe margem para reduzir os juros, mas o ritmo dependerá da postura fiscal do governo e das expectativas de inflação. Analistas como Marcela Kawauti projetam cortes graduais de 0,25 ponto por reunião, mas com cautela.Já nos EUA, a inflação ainda não entrou em uma trajetória confortável. Componentes persistentes, como serviços, continuam pressionados.

Antes da divulgação do CPI, as apostas em alta de juros nos EUA eram de cerca de 70%. Após os dados, subiram para 90%, segundo o CME Group.O descompasso cria um dilema. Um corte de juros no Brasil combinado com alta nos EUA reduz o diferencial de juros entre os dois países. Isso pode fortalecer o dólar, aumentar a volatilidade do câmbio, elevar o prêmio de risco para emergentes e limitar a entrada de capital estrangeiro no Brasil.Por isso, mais do que o tamanho do corte, o mercado vai prestar atenção na comunicação do Copom após a decisão, para entender se o BC pretende manter o ritmo de queda ou se será mais conservador nas próximas reuniões. Nesta semana, o BC ainda divulga o IBC-Br de julho, prévia do PIB, com expectativa de retração de 0,4% após o PIB ter avançado 0,5% no segundo trimestre.

Nos EUA, os investidores também aguardam as vendas no varejo de agosto e as novas projeções econômicas do Fed. A decisão será acompanhada do discurso de preservação da credibilidade e da independência do banco central diante das pressões por juros mais baixos.

Ana Carolina