Faleceu nesta terça-feira (2), aos 91 anos, o jornalista Mino Carta, um dos fundadores de publicações que marcaram época na imprensa brasileira. Ele estava internado há duas semanas na UTI do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A causa da morte não foi informada oficialmente. A notícia foi confirmada pela CartaCapital, revista que ele fundou e dirigiu até recentemente.
Mino era um nome incontornável do jornalismo nacional. Sua trajetória se confunde com a criação de veículos emblemáticos como as revistas Veja, IstoÉ, CartaCapital e o Jornal da Tarde, do grupo Estado. Com estilo crítico, olhar analítico e profundo comprometimento com a democracia, influenciou gerações de profissionais da comunicação.
De Gênova a São Paulo: uma vida dedicada à imprensa
Nascido em 6 de setembro de 1933, na cidade italiana de Gênova, Mino Carta chegou ao Brasil ainda criança, em 1946, junto da família. O jornalismo já fazia parte de sua história: seu avô e seu pai também foram jornalistas.
Após uma breve passagem pelo curso de Direito, voltou à Itália na década de 1950 e iniciou sua carreira como repórter na Gazzetta del Popolo, em Turim. Atuou ainda como correspondente de veículos brasileiros antes de retornar ao país definitivamente.
Aos 27 anos, foi convidado por Victor Civita, fundador da Editora Abril, para dirigir a recém-criada revista Quatro Rodas. Foi o ponto de partida para uma carreira que o levaria a estar à frente de projetos editoriais que moldaram o jornalismo brasileiro das últimas décadas.
Um criador de revistas que marcaram época
Visionário, Mino foi responsável pela concepção editorial da Veja (1968), IstoÉ (1976) e, mais tarde, da CartaCapital (1994), uma das vozes mais críticas do jornalismo político no país.
Em 1966, esteve também na fundação do Jornal da Tarde, conhecido por inovações gráficas e editoriais que influenciaram diversas redações no Brasil.
Ao lado de Cláudio Abramo, chegou a criar o Jornal da República, experiência interrompida por dificuldades financeiras, mas lembrada pela ousadia e independência editorial.
Reconhecimentos e legado
Mesmo sem ter completado uma graduação universitária, Mino recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Faculdade Cásper Líbero, em reconhecimento à sua contribuição para o jornalismo. Em 2006, foi eleito o Jornalista do Ano pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE).
Mino também explorou sua veia artística em outras áreas, como a literatura de ficção e as artes visuais, com publicações de romances e exposições de pintura.
Mino foi casado com Maria Angélica Pressoto, falecida em 1996. Em 2019, perdeu seu filho, o jornalista Gianni Carta, vítima de câncer. Deixa a filha Manuela Carta.
Um adeus a uma referência
Com sua partida, o Brasil se despede de uma das figuras mais marcantes da comunicação do século XX e início do XXI. A atuação de Mino Carta moldou não apenas publicações, mas também o modo de se fazer jornalismo crítico e engajado no país.





