Um motorista de aplicativo, de 22 anos, foi preso na madrugada de segunda-feira (10), em Aparecida de Goiânia, suspeito de praticar importunação sexual contra uma passageira durante uma corrida. O crime teria ocorrido no trajeto entre os setores Independência Mansões e Jardim Ipiranga, ambos no mesmo município. A vítima, uma mulher de 40 anos, relatou momentos de pânico e humilhação ao ser submetida a uma série de abusos dentro do veículo.
Segundo informações da Polícia Militar, a passageira solicitou a corrida por meio de uma plataforma de transporte por aplicativo — cujo nome ainda não foi divulgado. Durante o percurso, o motorista teria apresentado comportamento estranho, que rapidamente evoluiu para condutas criminosas. Ele teria interrompido a viagem, estacionado o carro e obrigado a vítima a assistir a vídeos pornográficos em seu celular.
A situação se agravou quando o suspeito, segundo o relato da mulher, passou a exigir que ela tirasse a blusa e o tocasse. Ela tentou sair do veículo, mas percebeu que as portas estavam travadas, o que a deixou ainda mais desesperada. A vítima relatou que o motorista só permitiu que ela saísse do carro depois que percebeu que ela estava em prantos e claramente em estado de choque. Mesmo ao deixá-la ir, o homem ainda a ameaçou, exigindo que ela não relatasse o ocorrido a ninguém.
Apesar das ameaças, a vítima procurou ajuda e acionou a Polícia Militar. As autoridades iniciaram imediatamente as buscas pelo suspeito. Com o auxílio de equipes de inteligência do 2º Comando Regional da PM, o homem foi localizado em sua residência e preso em flagrante. Ele foi conduzido à Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia, onde permanece à disposição da Justiça. O caso foi enquadrado como importunação sexual, conforme previsto no Código Penal.
A identidade do motorista não foi revelada oficialmente pelas autoridades. De acordo com a Polícia Civil, que agora conduz a investigação, o processo está sob sigilo, considerando a natureza do crime e a necessidade de preservar a identidade da vítima. Também não foi divulgada, até o momento, a plataforma de transporte por onde a corrida foi solicitada, o que pode dificultar eventuais ações de responsabilização da empresa.
Importunação sexual é crime
A importunação sexual é considerada crime no Brasil desde a sanção da Lei nº 13.718/2018. Ela ocorre quando alguém realiza, contra a vontade da vítima, atos libidinosos com o objetivo de satisfazer desejo próprio ou de terceiro. A pena prevista é de reclusão de 1 a 5 anos, podendo ser agravada conforme as circunstâncias e a gravidade dos atos.
Esse tipo de violência tem se tornado cada vez mais frequente em espaços públicos e também no ambiente dos transportes por aplicativo, o que levanta preocupações em relação à segurança das usuárias desses serviços. Casos como esse reforçam a necessidade de melhorias nos protocolos de segurança das plataformas de transporte e de maior rigor nos processos de seleção, avaliação e monitoramento de motoristas parceiros.
Prevenção e acolhimento
Especialistas recomendam que vítimas de violência sexual procurem imediatamente os canais oficiais de denúncia, como a Polícia Militar (190), a Central de Atendimento à Mulher (180) ou diretamente uma delegacia especializada. Também é possível buscar apoio psicológico em centros de atendimento à mulher em situação de violência.
Em nota, a Polícia Civil informou que continuará com a investigação para apurar todos os detalhes do caso. Por enquanto, não há informações sobre outros possíveis registros de condutas semelhantes praticadas pelo suspeito. Caso existam outras vítimas, é fundamental que elas procurem as autoridades para que novas denúncias sejam formalizadas.
O caso reforça a importância de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e da responsabilização de agressores, além da necessidade de ações educativas que visem o combate à cultura do assédio e da violência sexual.





