Após queda registrada em 2023, o número de crianças entre 5 e 9 anos em situação de trabalho infantil voltou a crescer em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, que atua na promoção do bem-estar infantil, destacou que esse aumento é preocupante, já que representa o maior percentual da série histórica iniciada em 2016.
No ano passado, cerca de 122 mil crianças nessa faixa etária estavam envolvidas em atividades laborais, o equivalente a 7,39% da população de 5 a 9 anos. Para a diretora-executiva da Fundação, Mariana Luz, o cenário é “inaceitável”. Segundo ela, o trabalho precoce compromete o desenvolvimento das crianças, reforça desigualdades sociais e raciais, e impede que elas vivam plenamente a infância.
Especialistas apontam que o aumento está ligado à vulnerabilidade de famílias de baixa renda, à falta de vagas em escolas de tempo integral e à informalidade do trabalho doméstico e de serviços gerais. Crianças pretas e pardas são desproporcionalmente afetadas, representando 67,8% dos casos nessa faixa etária, enquanto correspondem a 66% da população total de 5 a 9 anos.
Apesar do aumento entre os menores, o número de jovens de 5 a 17 anos em trabalho infantil apresentou redução de 21,4% nos últimos oito anos. Entre 2023 e 2024, houve um leve aumento de 2% nesse grupo. O Brasil também registrou avanços na diminuição das piores formas de trabalho infantil, com queda de 5% em relação a 2023 e de 39% em comparação a 2016, de acordo com a Lista TIP da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O governo federal, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mantém programas de prevenção e fiscalização, além de ações voltadas à profissionalização de jovens aprendizes e à proteção integral de crianças e adolescentes. O Disque 100 também continua disponível para denúncias de trabalho infantil em todo o país.
Para Mariana Luz, cada criança que deixa de brincar e estudar para trabalhar representa uma falha coletiva da sociedade. “É urgente garantir que nenhuma criança esteja trabalhando quando deveria estar vivendo sua infância”, reforça a diretora.





