A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), deflagrou a operação Beleza Sem BO nesta quarta-feira, 20 de março de 2025, com o objetivo de cumprir mandados de prisão preventiva contra duas mulheres que são proprietárias de clínicas estéticas em Goiânia e Aparecida de Goiânia. A operação é um desdobramento de investigações sobre graves casos de lesão corporal provocados por procedimentos estéticos irregulares realizados nas clínicas envolvidas.
As investigações revelaram uma série de irregularidades que colocaram em risco a saúde dos pacientes, com destaque para um caso alarmante no qual um homem perdeu a funcionalidade do órgão genital após realizar um procedimento de “preenchimento íntimo” peniano em uma das clínicas. O paciente precisou ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para que fosse confeccionado um laudo pericial sobre o ocorrido. Este caso foi um dos fatores que motivaram a deflagração da operação, uma vez que a denúncia de lesão corporal grave gerou uma mobilização das autoridades para coibir o avanço de práticas fraudulentas e prejudiciais à saúde no setor de estética.
A clínica investigada é a Lunar Espaço de Estética Corporal, localizada em Aparecida de Goiânia, que tem à frente Maria Silvânia, presa preventivamente no mesmo dia da operação. Maria Silvânia é acusada de lesão corporal grave após um dos pacientes da clínica ter sido internado na UTI e entubado devido a complicações originadas de um procedimento realizado no local. A clínica havia sido interditada em 2024 pela Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) e pela Vigilância Sanitária devido a irregularidades em seus serviços. No entanto, apesar da interdição e da proibição de prestar serviços, Maria Silvânia e sua equipe continuaram a realizar os procedimentos de maneira clandestina, colocando em risco a saúde e o bem-estar de seus clientes.
A segunda investigada, Luana Nadejda Jaime, proprietária da Clínica Estética Luana Jaime, em Goiânia, é acusada de oferecer procedimentos irregulares, além de continuar suas atividades mesmo após a interdição de sua clínica e o cancelamento de seu registro no Conselho Regional de Enfermagem (Coren). Luana Nadejda se encontra foragida e, de acordo com a Polícia Civil, é procurada pela Interpol. Até o momento, há quatro denúncias formalizadas contra Luana, todas relacionadas a casos de lesões corporais graves resultantes dos procedimentos realizados em sua clínica. A polícia acredita que a divulgação de seu nome e imagem pode contribuir para o surgimento de novas vítimas e informações sobre sua localização.
O caso envolve ainda outras vítimas que passaram por procedimentos estéticos sem a devida qualificação profissional. A clínica Estética Luana Jaime foi alvo de fiscalização em 2024, mas as investigações apontam que as proprietárias das clínicas continuaram operando de maneira irregular, utilizando redes sociais como meio de atrair clientes, mesmo após as interdições e a perda do registro profissional. Isso coloca em evidência os riscos de procedimentos estéticos realizados sem o devido controle de órgãos competentes, como o Conselho Regional de Enfermagem e as autoridades de saúde pública.
O caso tem gerado grande repercussão na sociedade, e as autoridades de segurança pública têm buscado responsabilizar as investigadas por suas ações ilegais. A divulgação das imagens e dos nomes das investigadas foi autorizada conforme a Lei nº 13.869/2019 e a Portaria nº 547/2021, com o objetivo de contribuir para a identificação de outras possíveis vítimas e fortalecer a coleta de provas. A divulgação visa, também, dar visibilidade ao caso, a fim de aumentar as chances de captura da foragida e garantir que o processo investigativo siga seu curso de maneira eficaz.
O caso da Operação Beleza Sem BO serve como um alerta para os riscos envolvidos em procedimentos estéticos realizados sem a devida regulamentação e fiscalização. É fundamental que os consumidores busquem sempre profissionais qualificados e devidamente registrados, além de verificar as condições dos estabelecimentos antes de realizar qualquer procedimento estético. A Polícia Civil reforça que é imprescindível a denúncia de qualquer irregularidade em serviços de estética, especialmente aqueles que podem causar danos à saúde das pessoas.








