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Ozempic e Similares Passam a Ser Vendidos Apenas com Retenção de Receita

Ozempic e similares passam a ser vendidos apenas com retenção de receita
Imagens Reprodução

A partir desta segunda-feira (23), medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda — popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras” — só poderão ser vendidos mediante receita médica com retenção, conforme determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida foi publicada no Diário Oficial da União em abril e entra em vigor após 60 dias.

Esses medicamentos, pertencentes à classe dos agonistas GLP-1, foram inicialmente desenvolvidos para o tratamento de diabetes tipo 2, mas têm sido cada vez mais utilizados para fins estéticos, como o emagrecimento rápido. Esse uso fora das indicações oficiais é chamado de “off-label” e preocupa médicos e autoridades sanitárias.

Alerta sobre uso indiscriminado

Especialistas têm apontado um aumento expressivo na procura por essas substâncias sem prescrição médica. Um estudo apresentado à Anvisa pela pesquisadora da USP Thamires Capello mostrou que quase metade dos usuários adquiriu as canetas sem orientação profissional, e mais de 70% nunca passaram por avaliação médica.

Essa banalização do uso pode provocar graves riscos à saúde, como desnutrição, perda de massa muscular, deficiência de vitaminas, queda de cabelo e até complicações mais sérias como pancreatite e problemas de tireoide.

“Sem o acompanhamento correto, o paciente pode deixar de se alimentar adequadamente. A perda de peso mal conduzida traz consequências metabólicas sérias”, afirma Cristina Schreiber, endocrinologista e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

 Escassez para quem realmente precisa

O uso abusivo também tem impacto direto na disponibilidade dos medicamentos, comprometendo o tratamento de pacientes com diabetes tipo 2, público-alvo para o qual esses remédios foram originalmente desenvolvidos.

O aumento da demanda descontrolada já levou à escassez em farmácias e também contribuiu para o contrabando e falsificação. Um levantamento exibido pelo programa Fantástico revelou que, apenas neste ano, mais de 350 apreensões de medicamentos falsificados ocorreram em aeroportos brasileiros.

Dados da empresa IQVIA apontam que, só em 2022, as prescrições de remédios para perda de peso cresceram 41% no Brasil. Além disso, um estudo publicado na revista Diabetes Care mostrou que cerca de 30% das prescrições de Ozempic, em 2021, foram destinadas a pacientes sem diabetes.

“A longo prazo, o uso sem supervisão reduz a eficácia da medicação e aumenta o risco de reganho de peso após a suspensão”, explica o nutrólogo Noé Alvarenga.

Decisão da Anvisa é respaldada por entidades médicas

A decisão da Anvisa foi baseada em uma análise de farmacovigilância, com dados de eventos adversos registrados no sistema VigiMed. O órgão identificou uma taxa significativamente maior de problemas no Brasil em comparação com outros países.

A medida também foi reforçada após um alerta formal do Conselho Federal de Medicina, que defendeu maior controle na prescrição e venda desses fármacos.

Em nota, a farmacêutica Novo Nordisk, responsável pelo Ozempic, informou que apoia a decisão da Anvisa e compartilha da preocupação sobre o uso incorreto dos medicamentos.

 O que muda na prática

  • A partir de agora, farmácias só poderão vender Ozempic e similares mediante apresentação e retenção da receita médica.

  • A fiscalização será intensificada para coibir a venda irregular e o comércio ilegal.

  • Médicos reforçam que o tratamento da obesidade deve ser feito com acompanhamento profissional, focando em mudanças de estilo de vida e não apenas em medicação.

“A obesidade é uma condição crônica e complexa, que exige estratégias sustentáveis e seguras para controle de peso”, ressalta a endocrinologista Samara Rodrigues, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

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