Um pai de santo foi vítima de um ataque violento na cidade de Mauá, na Região Metropolitana de São Paulo, na última terça-feira (21). Segundo testemunhas, o agressor se aproximou da vítima proferindo ofensas como “além de macumbeiro, é viado”, antes de disparar à queima-roupa. A vítima foi socorrida e permanece internada em estado grave.
Identificado como Sidnei Barreto Nogueira, líder espiritual do terreiro Ilê Axé Omo Odé, o religioso foi baleado na altura do tórax. O caso gerou comoção entre defensores dos direitos humanos, representantes de religiões de matriz africana e movimentos LGBTQIA+, que denunciam o crescente número de ataques motivados por preconceito no estado.
De acordo com dados divulgados pela Agência Brasil, a violência contra pessoas LGBTQIA+ em São Paulo aumentou 970% nos últimos oito anos. Somente nos primeiros quatro meses de 2025, foram contabilizados mais de 900 casos de crimes relacionados à intolerância, incluindo ameaças, agressões e injúrias, conforme levantamento feito pelo UOL.
As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), e entidades da sociedade civil cobram ações efetivas das autoridades. Elas exigem que o caso não seja tratado como um incidente isolado, mas como reflexo de um problema estrutural que combina racismo religioso e homofobia.
O episódio reforça a urgência de políticas públicas mais rigorosas para combater a intolerância e garantir a segurança de lideranças religiosas afro-brasileiras e da comunidade LGBTQIA+. Ativistas pedem mais proteção, educação e respeito à diversidade religiosa e de identidade de gênero no país.





