Arqueólogos anunciaram nesta quinta-feira (3) a descoberta de uma cidade pré-histórica de 3.500 anos no Peru, chamada Peñico. Localizada na província de Barranca, ao norte do país, a cidade foi fundada entre 1.800 e 1.500 a.C., contemporânea das primeiras civilizações do Oriente Médio e da Ásia. Especialistas acreditam que Peñico funcionava como um centro comercial estratégico, conectando as culturas da costa peruana com as dos Andes e da Amazônia.
A cidade foi descoberta após oito anos de escavações e estudos arqueológicos. Imagens de drone revelaram uma estrutura circular situada em um terraço na encosta, a cerca de 600 metros acima do nível do mar. Além disso, foram identificadas até 18 construções, incluindo templos cerimoniais e complexos residenciais. Os muros de uma praça central se destacam por seus relevos esculturais e representações de “pututu”, uma trombeta em forma de concha cujo som é transmitido por longas distâncias. Outros edifícios apresentam esculturas de argila de figuras humanas e animais, objetos cerimoniais e colares feitos de contas e conchas.
A arqueóloga Ruth Shady, que liderou a pesquisa em Peñico, afirmou que a cidade é fundamental porque acredita-se que ela surgiu após a civilização Caral ter sido devastada por mudanças climáticas. “Eles estavam situados em um local estratégico para o comércio, para o intercâmbio com sociedades do litoral, das terras altas e da selva”, disse Shady. O arqueólogo Marco Machacuay, pesquisador do Ministério da Cultura, ressaltou que Peñico representa a continuidade da sociedade Caral.
A civilização de Caral, considerada a mais antiga das Américas, floresceu entre os séculos IV e II a.C., composta por 32 estruturas monumentais. É considerada contemporânea das civilizações do Egito, Índia, Suméria e China, mas desenvolveu-se de forma isolada.
Com a descoberta de Peñico, o Peru reafirma sua importância como um centro de culturas antigas, abrigando sítios arqueológicos como as ruínas incas de Machu Picchu e as misteriosas linhas de Nazca.






