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PF Avança nas Investigações da “Abin Paralela” e Prepara Encerramento do Inquérito com Possíveis Delações

Foto: • Antonio Cruz/Agência Brasil
Foto: • Antonio Cruz/Agência Brasil

A Polícia Federal está na reta final das investigações sobre uma suposta estrutura clandestina de espionagem montada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conhecida como “Abin Paralela”, a operação visava monitorar ilegalmente figuras públicas, utilizando ferramentas de rastreamento sem autorização judicial. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou que o inquérito pode ser concluído entre julho e agosto deste ano, e que negociações para delações premiadas estão em curso.

No centro da apuração está o uso do software israelense FirstMile, comprado ainda na gestão de Michel Temer por cerca de R$ 5,7 milhões. Essa ferramenta era capaz de localizar aparelhos celulares em tempo real, mesmo sem aval judicial. A suspeita é de que o sistema foi empregado para monitorar opositores políticos, jornalistas e até ministros do Supremo Tribunal Federal, o que configura grave violação de direitos e da legislação nacional.

Desde o início da investigação, duas operações foram deflagradas. As ações resultaram em prisões e buscas em imóveis ligados a aliados próximos do ex-presidente. Entre os principais alvos estão Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin, e o vereador Carlos Bolsonaro. Em uma das fases da investigação, ocorrida em janeiro deste ano, equipamentos eletrônicos foram apreendidos e estão sob análise, com foco em identificar conexões com o esquema de espionagem.

Relatórios da PF também apontam que essa estrutura paralela teria desempenhado papel relevante em ações contra instituições democráticas. Segundo os investigadores, há indícios de envolvimento em ao menos 21 episódios relacionados à disseminação de desinformação e ataques ao STF, ao Congresso e ao TSE. Essas ações teriam contribuído para fomentar atos golpistas, como os ocorridos em 8 de janeiro de 2023.

A Polícia Federal estuda ainda o desmembramento da investigação para aprofundar a apuração de possíveis irregularidades na atual gestão da Abin, comandada por Luiz Fernando Corrêa desde 2023. Embora Corrêa negue qualquer envolvimento, existem suspeitas de que práticas ilegais de espionagem possam ter continuado, mesmo após a troca de comando.

Com o avanço das delações e a análise do material recolhido, a PF pretende encerrar a parte central do inquérito nas próximas semanas. A próxima etapa deverá incluir novas investigações sobre cerca de 100 dossiês produzidos no governo anterior, os quais apresentam sinais de irregularidades. O caso pode desdobrar-se judicialmente e gerar repercussões políticas e administrativas de grande alcance.

A sociedade acompanha com atenção os próximos movimentos da PF, que podem revelar em maior profundidade o uso da estrutura estatal de inteligência para fins políticos durante a gestão passada.

Editor Sucesso