O mês de junho trouxe alívio no bolso do consumidor: após nove meses consecutivos de alta, os preços dos alimentos caíram, contribuindo para a quarta queda mensal seguida da inflação oficial, que encerrou o período em 0,24%.
Entre os itens que mais pressionaram os alimentos no domicílio estão ovo (-6,58%), arroz (-3,23%) e frutas (-2,22%). Segundo o IBGE, a safra atual mais farta foi determinante para essa deflação.
Porém, a conta de luz manteve-se como principal vilã da inflação: a bandeira vermelha nível 1 acrescentou R$ 4,46 a cada 100 kWh, resultando em alta de 2,96% no item energia — o maior impacto individual no IPCA, de +0,12 p.p.
O IPCA apresenta desaceleração consistente desde fevereiro, quando foi registrado o pico de 1,31%. As taxas de março (0,56%), abril (0,43%) e maio (0,26%) registraram quedas sucessivas até junho (0,24%) . No acumulado em 12 meses, a inflação permanece elevada, em 5,35%, pela sexta vez seguida acima do teto da meta vigente (4,5%), configurando continuidade do “furo” na meta .
Dos nove grupos analisados, apenas alimentação e bebidas apresentou retração (-0,18%), o que reduziu a inflação em 0,04 ponto porcentual. O maior impulso ao índice veio de habitação — liderado pela energia elétrica — que subiu 0,99%, com impacto de 0,15 p.p. .
O setor de transportes registrou alta de 0,27% (impacto de 0,05 p.p.), mesmo com a queda dos combustíveis (-0,42%), puxado pela valorização do transporte por aplicativo (+13,77%) .
O índice de difusão (percentual de itens com alta de preço) caiu para 54%, o menor nível desde julho de 2024, quando foi de 47% .
O IBGE também divulgou o INPC (índice que mede a inflação para famílias de renda de até cinco salários mínimos), que registrou variação de 0,23% em junho e acumula 5,18% em 12 meses . No INPC, os alimentos representam cerca de 25% do peso total, comparado a 21,9% no IPCA .
Fonte – Agência Brasil





