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Projeto de anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro atinge número mínimo de assinaturas para tramitar com urgência

Foto: Danilo m. Yoshioka/ Metrópoles/Reprodução

O projeto de lei que propõe a anistia para os envolvidos na manifestação de 8 de janeiro de 2023, que culminou na invasão e depredação nas sedes dos Três Poderes em Brasília, alcançou o número mínimo de 257 assinaturas necessárias para que sua tramitação ocorra em regime de urgência na Câmara dos Deputados. Com isso, o texto pode ser levado diretamente ao plenário, sem precisar passar por comissões.

A coleta das assinaturas foi organizada majoritariamente por parlamentares do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e conta com apoio de siglas da oposição. A intenção dos autores da proposta é beneficiar centenas de pessoas que estão presas ou respondendo a processos judiciais por envolvimento nos ataques, argumentando que muitos foram “enganados” ou apenas participaram de forma pacífica das manifestações.

Segundo os parlamentares favoráveis ao texto, o projeto é uma resposta àquilo que consideram excessos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Polícia Federal nas investigações e punições.

No entanto, o tema gera ampla controvérsia. Críticos apontam que a anistia pode representar um perigoso precedente de impunidade frente a atos que atacaram diretamente a democracia e as instituições brasileiras. Para muitos, conceder perdão judicial aos responsáveis — mesmo que parcial ou seletivamente — significa minimizar a gravidade do que aconteceu em 8 de janeiro.

Ainda que o mínimo de assinaturas tenha sido atingido, a palavra final sobre a inclusão da urgência na pauta de votações é do presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB. Em ocasiões anteriores, Motta manifestou publicamente sobre o tema e declarou que o projeto não é prioridade.

Além disso, a movimentação na Câmara revelou dissidências internas. Apesar da liderança do PL na iniciativa, quatro deputados do próprio partido decidiram não assinar o pedido de urgência, evidenciando que nem todos os aliados da direita apoiam a proposta.

Caso o projeto entre na pauta e o regime de urgência seja aprovado em plenário, a tramitação pode ser acelerada e a votação ocorrer em poucas sessões. Isso tem gerado preocupação entre juristas, membros do Judiciário e entidades da sociedade civil, que pedem mais debate público sobre os impactos da proposta.

A anistia, se aprovada, poderá beneficiar não apenas manifestantes presos, mas também financiadores e organizadores dos atos — o que acende ainda mais os ânimos nos bastidores da política. Enquanto isso, cresce a pressão tanto de partidos interessados na aprovação quanto de setores da sociedade contrários ao que chamam de “autoperdão legislativo”. O embate promete ser um dos mais polêmicos do semestre no Legislativo.

Editor Sucesso