Manifestantes bloquearam diversas rodovias em Israel nesta terça-feira (26) exigindo um acordo de cessar-fogo com o Hamas e a libertação dos reféns ainda mantidos na Faixa de Gaza. A mobilização foi organizada por familiares das vítimas sequestradas durante os ataques de 7 de outubro de 2023.
A ação faz parte de uma série de protestos nacionais promovidos pelo Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, que representa a maioria dos parentes das pessoas levadas pelo Hamas. Ao longo do dia, estão previstas várias manifestações em diferentes partes do país, com destaque para um grande ato programado para ocorrer à noite na chamada “Praça dos Reféns”, em Tel Aviv.
Durante os protestos, manifestantes queimaram pneus e bloquearam cruzamentos estratégicos, enquanto outros se posicionaram em frente às residências de ministros do governo israelense. Faixas exibidas durante as manifestações traziam frases como “Salvem os reféns, acabem com a guerra” e “A guerra da mentira está matando reféns e soldados”.
Em entrevista à imprensa em Tel Aviv, Einav Zangauker, mãe de um dos reféns, fez um apelo à população:
“Pedimos que todos se juntem a nós. Só com pressão popular será possível alcançar um acordo e encerrar essa guerra. O governo os abandonou, mas o povo pode trazê-los de volta”.
Contexto do conflito
A guerra entre Israel e o Hamas teve início em 7 de outubro de 2023, quando o grupo palestino lançou um ataque que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou no sequestro de 251 indivíduos. Desde então, Israel tem conduzido ofensivas aéreas e terrestres em Gaza com o objetivo de desmantelar o comando do Hamas e resgatar os reféns.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 61 mil palestinos morreram desde o início do conflito — a maioria, mulheres e crianças, de acordo com a mesma fonte. Israel afirma que pelo menos 20 mil das vítimas eram combatentes do Hamas.
A ONU estima que cerca de 1,9 milhão de pessoas, o equivalente a mais de 80% da população da Faixa de Gaza, foram forçadas a deixar suas casas. A crise humanitária se agravou ainda mais com a escassez de alimentos e a dificuldade na entrada de ajuda humanitária. Desde maio, mais de mil pessoas teriam morrido tentando acessar suprimentos, segundo dados das Nações Unidas.
Cerca de 50 reféns ainda permanecem em Gaza, e acredita-se que aproximadamente 20 estejam vivos. Parte deles foi libertada durante dois acordos temporários de cessar-fogo. Os demais continuam em poder do Hamas.
Enquanto o governo de Benjamin Netanyahu insiste em continuar com a ofensiva até a rendição do grupo radical, o Hamas exige condições humanitárias mínimas e negociações para retomar o diálogo.





